Blog do Sadovski

Profano e divertidíssimo, Deadpool é o filme de super-heróis perfeito!

Roberto Sadovski

deadpool4

Não se engane pela censura “alta” obtida por Deadpool, versão para o cinema do mercenário desbocado dos quadrinhos da Marvel. A aventura definitivamente não é um filme “para adultos”, e sim para adultos com um moleque de 12 anos no coração. Deadpool é zoeiro, farrista, vulgar, violento e imprevisível… ok, é um neo-adolescente ligeiramente mais intenso que a molecada do seu prédio, mas ele chegou para causar mesmo.

Quer saber? E isso é ótimo!

Deadpool – ou melhor, o mercenário Wade Wilson – deu as caras pela primeira vez em X-Men Origens: Wolverine. E foi um desastre. Com poucos minutos em cena, o Deadpool apresentado ali era uma aberração (literal e figurada), um arremedo de ideia ruim que jogou no mato tudo que fazia do personagem minimamente bacana nos gibis. Seu intérprete era Ryan Reynolds, que ficou estigmatizado em “estragar” um ídolo de milhões.

Reynolds continuou arriscando em adaptações de HQs – Lanterna Verde, R.I.P.D. – com o mesmo grau de fracasso. Mas a coceira no cantinho da cabeça do ator não parava de incomodar, e essa coceira tinha nome: Deadpool. Um promo, na verdade um vídeo-teste que retratava o anti-herói de maneira bem mais fiel a suas origens, “vazou” na internet há alguns anos. Os fãs enlouqueceram. Os responsáveis pelo vídeo, o próprio Reynolds e o diretor de primeira viagem Tim Miller, fizeram cara de “não temos nada com isso”. Mas o estúdio ouviu os fissurados pelo herói-quase-mutante (e o provável tilintar das registradoras), e Deadpool finalmente saiu da gaveta.

new-deadpool-promo-images-offer-hints-movie-s-unconventional-tone-492440

Vá ao cinema ou Ted leva uma azeitona na empada!

Acredite, da maneira certa. Não existe nada mais perfeito do que Deadpool no quesito “tradução de uma ideia de um gibi para o cinema”. Tudo que faz do personagem interessante está impresso em cada polegada de celulóide. O humor anárquico. A total consciência de que ele faz parte, sim , de uma obra de fantasia (e nós, o público, somos seus confidentes). A violência de desenho animado (Deadpool é basicamente um cartum do Pernalonga com sangue, sexo e palavrões). A tonelada de referências pop. A tiração de sarro constante dos super-heróis como ideia.

O sucesso repousa em grande parte nos ombros de Ryan Reynolds. Depois de arriscar uma pá de candidatos a blockbuster (que não deram certo) e outro punhado de filmes independentes que mostram o quanto ele de fato é bom (e que ninguém assistiu), o astro encontrou o veículo perfeito. Wade Wilson é seu Tony Stark para Robert Downey Jr., seu Wolverine para Hugh Jackman (aqui, achincalhado constantemente), o casamento perfeito entre personagem e intérprete. Difícil saber o quanto de sua metralhadora vocal está no roteiro ou é improviso, mas o que importa é que funciona.

deadpool21

Todo pimpão, em pose de herói!

E funciona principalmente por Deadpool ser um filme de origem que consegue a) não ser maçante ao massacrar a plateia com explicações, já que a coisa começa a mil e a trama se desenvolve de forma não-linear, e b) usar sua própria estrutura para desconstruir o que é o “filme de super-herói” moderno. Kick-Ass não chega perto da genialidade que é Deadpool destruindo o gênero, justamente ao ser a tradução perfeita da fórmula. Com direito, inclusive, ao melhor cameo de Stan Lee em todos os filmes da Marvel e à cena pós-créditos mais inteligente que o cinema moderno foi capaz de bolar (ou… copiar).

A trama acompanha o romance do assassino de aluguel Wade Wilson com a prostituta do coração de ouro Vanessa (Morena Baccarin, integrada na piada até a alma). Tudo é perfeito, como atesta uma montagem que acompanha a vida sexual do casal ao longo de cada feriado do ano (a celebração do Dia Internacional da Mulher é para deixar sem palavras). Mas Wade tem câncer. Wade deixa Vanessa para ela não acompanhar seu filme doloroso. Wade topa participar de um experimento que pode lhe curar a doença e lhe conferir superpoderes. Wade ganha um fator de cura tão bacana quanto o do Wolverine, mas seu rosto e corpo ficam assustadoramente desfigurados no processo. Wade quer que o vilão (inglês, Ajax, defendido por Ed Skrein) dê seu jeito. Wade torna-se Deadpool, e a coisa toda se torna uma trama de resgate/vingança.

deadpool-movie-reveals-sidekicks-tarantino-style-script-negasonic-teen-warhead-and-dea-494183

Deadpool ainda divide a cena com dois X-Men, como Míssil Atômico Adolescente…

colossus-deadpool-movie-image

… e Colossus!

E é uma beleza! A sessão que eu acompanhei causou gargalhadas tão altas que sessões repetidas são necessárias para ouvir algumas piadas com atenção. Tim Miller e os roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick conseguem integrar Deadpool ao universo dos X-Men (o naco da Marvel que pertence à Fox, não à Disney) jogando Colossus e a novata Míssil Atômico Adolescente (melhor codinome de todos os tempos!) na trama, criam um elenco de coadjuvantes que de fato ajuda a narrativa (Leslie Uggams arrebenta como a Cega Al, que divide um teto com o herói) e não tiram o pé do acelerador nem por um segundo, não poupando do arsenal decididamente proibido para menores do protagonista sequer o estúdio que está bancando a conta.

O maior mérito dos realizadores, porém, é deixar Ryan Reynolds livre para ser Deadpool. Era uma missão de honra, e ele a cumpriu com louvor. A aventura funciona como filme de super-heróis, como comédia, como peça de ação para quem não dá a mínima para gente usando uniforme colorido, como uma desconstrução esperta do gênero para quem não dá muita bola a ele. É acelerado, engraçado, desbocado e divertidíssimo. Mesmo que você já tenha mais de 12 anos… ou principalmente por isso!

deadpool_71652

Acredite, isso aí atrás do Wolverine é Deadpool em X-Men Origens…

(pronto, sr. Deadpool, já terminei o texto, repeti seu nome mais vezes do que a boa redação permite, espero que esteja do jeito que o sr. esperava…. pode guardar as espadas e… não, espera! SPLASH!)

Sobre o autor

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Sobre o blog

Cinema, entretenimento, cultura pop e bom humor dão o tom deste blog, que traz lançamentos, entrevistas e notícias sob um ponto de vista muito particular.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.title}}

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 
Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Topo