Blog do Sadovski

A Criada, do diretor de Oldboy, ganha trailer e pode dar um Oscar à Coréia

Roberto Sadovski

the-handmaiden-cannes

O cinema coreano contemporâneo habita com desenvoltura o radar dos fãs de um cinema fora da caixinha. Antes restritos ao circuito de festivais, a produção nascida primariamente em Seul tem ganho o mundo por seu poder visual, ousadia temática e, por que não, diálogo franco com um cinema pop que o deixa nada hermético e estranhamente acessível. Bong Joon-ho criou obras díspares como O Hospedeiro e Mother – Em Busca Pela Verdade, antes de abraçar o cinemão internacional com o excepcional O Expresso do Amanhã. Hong Sang-soo manteve os pés em uma atmosfera mais intimista, em filmes delicados como A Visitante Francesa, Montanha da Liberdade e o ótimo Certo Agora, Errado Antes. Meu favorito, porém, ainda é Chan-Wook Park.

Quando assisti a Oldboy, foi um choque. Não esperava a mistura de ação sufocante e violência extrema com vingança e incesto. É um desses filmes que garante discussões intermináveis pós a sessão. Oldboy é parte, por sinal, de sua “trilogia da vingança”, que ainda inclui os nada sutis Mr. Vingança e Lady Vingança – arrisque os três numa tarde chuvosa e seja feliz. Sede de Sangue ampliou seu interesse no tema, que também permeou seu flerte com Hollywood, o esquisito e intenso Segredos de Sangue, com Mia Wasikowska, Nicole Kidman e Matthew Goode. O sucesso não só nos grandes festivais de cinema pelo mundo (inclusive em nosso quintal), mas também nas salas de cinema, estranhamente ainda não garantiu um Oscar ao cinema coreano, como bem apontou o site Indiewire.

A Criada pode mudar este jogo – não na categoria de melhor filme estrangeiro, já que o país indicou, como bem me lembrou o oráculo do Oscar Chico Fireman, The Age of Shadows, e Elle, apontado pela França, é meu favorito do coração. Mas em outras categorias, principalmente técnicas, seria mais do que justo. Park, por fim, voltou para casa depois de bater palminhas com Hollywood com sangue nos olhos (ainda bem que não escolheram este título, por que, né….). Uma trama de vingança em sua superfície, o filme mergulha fundo em temas como lesbianismo, chantagem e sedução. Adaptando o romance Na Ponta dos Dedos, que Sarah Waters publicou em 2002, com a trama transportada da Londres do século 19 para a Coreia sob domínio japonês dos anos 30, A Criada mostra uma jovem apontada para servir uma herdeira japonesa reclusa. O plano é roubar seu dinheiro, mas o desejo entra no caminho. A obra de Chan-Wook Park fez barulho na última edição da Mostra de Cinema de SP, saindo como favorito do público, e agora ganha seu primeiro trailer (que você vê aqui em primeira mão). Com Elle, Silence, A Chegada, La La Land, Capitão Fantástico e Animais Noturnos – só para cutucar a superfície -, o 2016 que passou meses hibernando parece ter acordado.

Sobre o autor

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Sobre o blog

Cinema, entretenimento, cultura pop e bom humor dão o tom deste blog, que traz lançamentos, entrevistas e notícias sob um ponto de vista muito particular.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.title}}

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Topo