Blog do Sadovski

Carnaval do terror: 10 filmes assustadores para animar quem tem horror à folia!

Roberto Sadovski

As ruas estão tomadas por corpos que, embora animados por alguma energia vital, esquecem seu individualismo e comportam-se como uma massa única, caminhando a esmo, seguindo apenas a direção do barulho e de seus pares. Pode até parecer sinopse de algum filme do George Romero, mas é apenas o bom e velho carnaval que toma conta do país. A farra momesca não só tomou proporções alarmantes e estendeu-se para muito além de seus dias “oficiais”, mas também se tornou uma festa que priva seus foliões de razão, em uma combinação de corpos lascivos, impulsos animais, desejos reprimidos e ruído branco. Ou seja: ingredientes para um filme de terror de primeira!

Pensando nisso, selecionei dez produções do gênero (ok, são treze, me deixa….) para que você possa reproduzir, sem deixar o conforto de seu lar, os efeitos do carnaval entre quatro paredes. Aumente o som, prepare a TV gigantona, capriche na pipoca e mergulhe em cinco dias de pavor e medo, de tensão e desespero… mais ou menos como a coisa está lá fora, mas sem o risco de ouvir “minha pequena eva” ou “eu falei faraó”. De nada…

Sexta-feira: parasitas espaciais!

O dia em que a festa começa e você percebe, para seu absoluto terror, que as pessoas a seu lado podem não ser quem você imagina que sejam. Sai do chão!

INVASORES DE CORPOS
(Invasion of the Body Snatchers, Philip Kaufman, 1978)

A primeira adaptação do livro de Jack Finney, Vampiros de Almas, é uma alegoria precisa sobre a “caça aos comunistas” dos anos 50. Este remake é a melhor versão da história, que relata o drama de um burocrata (Donald Sutherland) que percebe que aos poucos seus amigos perdem a individualidade, assumindo um comportamento de colmeia. Quando ele descobre que eles estão mortos e foram substituidos por parasitas espaciais, talvez seja tarde demais.

O ENIGMA DE OUTRO MUNDO
(The Thing, John Carpenter, 1982)

Há um bom tempo que eu estou convencido de que a obra-prima de John Carpenter é o melhor filme da história do cinema. Uma trama sobre paranóia e invasão por um inimigo implacável, o filme isola um grupo de pesquisadores numa base científica no Ártico, e logo eles percebem que não estão sozinhos. Refilmado por Quentin Tarantino como Os Oito Odiados. É sério.

Sábado: caprichando na fantasia!

Agora a festa já engatou uma segunda, uma terceira, e você deixou seu senso de individualidade em casa, ao lado do Engov. Momento perfeito para arriscar uma fantasia esperta. Sai do chão!

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA
(The Texas Chainsaw Massacre, Tobe Hooper, 1974)

Um dos filmes mais impressionantes de todos os tempo, esta pérola indie do diretor Hooper é inspirada na vida do assassino em série Ed Gein, que guardava lembranças macabras de suas vítimas e transformava pele e ossos em utensílios domésticos. Leatherface, vilão mais proeminente da família de canibais do filme, usa uma máscara feita de pele humana, aparato renovado com o fluxo de vítimas de sua motosserra.

HELLRAISER: RENASCIDO DO INFERNO
(Hellraiser, Clive Barker, 1987)

Neste clássico moderno, o romancista e diretor Clive Barker abre as portas para dimensões infernais quando humanos resolvem uma espécie de cubo mágico do demo. As criaturas abissais, chamadas cenobitas, ensinam na prática os limites do prazer e da dor. É quando um sujeito, que volta aos poucos do inferno com seu corpo semi-humano, “veste” a pele do irmão que acabou de condenar ao abismo para tentar dar uns amassos na própria sobrinha. Coisa fina.

Domingo: the walking dead!

Depois de dois dias, o Carnaval já começa a cobrar o preço da folia intensa. Afinal, quem precisa dormir ou sequer descansar quando Ivete grita que “levantou poeira”? Sai do chão!

EXTERMÍNIO
(28 Days Later…, Danny Boyle, 2002)

Um vírus transformou boa parte da população do Reino Unido em zumbis acelerados, em uma mutação macabra da raiva, implacáveis em sua fome pelos vivos. Um mês após o evento que varreu a civilização das ilhas britânicas, um grupo de sobreviventes, “liderado” por um jovem que acabou de sair de um coma (Cillian Murphy) num hospital em Londres e não faz idéia do que está havendo, tenta alcançar qualquer lugar que esteja livre da horda de infectados.

MADRUGADA DOS MORTOS
(Dawn of the Dead, Zack Snyder, 2004)

Antes de começar sua cruzada para destruir Superman, Batman e cia. no cinema, o visionário Zack Snyder refilmou um clássimo absoluto de George Romero e o resultado é para aplaudir em pé. A trama é direta: os mortos se ergueram, um grupo de desconhecidos está preso em um shopping center, e logo fica claro que ficar ou fugir não fará muita diferença, já que o inimigo somos todos nós. E se você nunca esperou ver um recém-nascido zumbi, bom, é sua chance…..

Segunda-feira: dia de cair matando!

Já passou da metade da folia e você ainda está marcando zero em seu placar de amores ligeiros? É hora de apurar sua tática e partir em busca de resultados! Aprenda a passar a faca com os mestres. Sai do chão!

HALLOWEEN – A NOITE DO TERROR
(Halloween, John Carpenter, 1978)

O filme que praticamente deu o pontapé inicial no gênero slasher, o primeiro Halloween é um tratado de simplicidade e economia, com John Carperter (sim, que tem dois filmes nessa lista!) conduzindo a jornada de uma jovem, Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), na noite em que ela é perseguida por um maníaco mascarado. Entre os dois, uma pilha de corpos, mutilada com uma certa elegância e até bom humor.

A HORA DO PESADELO
(A Nightmare on Elm Street, Wes Craven, 1984)

Wes Craven destruiu a paz de fãs de terror em todo o mundo quando maculou o único momento em que pensávamos estar seguros: enquanto sonhávamos. O assassino sobrenatural Freddy Krueger (Robert Englund), uma força da natureza deformada em busca de vingança, persegue um grupo de adolescentes em seus sonhos, ceifando suas vidas com criatividade até consumar seu plano. O filme foi um sucesso e o plano, obviamente, não parou por aí.

Terça-feira: cine trash!

Com o Carnaval chegando ao fim, é fácil assumir que o folião mais radical já abandonou a forma humana e as regras da civilidade há tempos. Para celebrar o estilo de vida trash, descubra mundos em que as regras foram para o espaço há tempos. Sai do chão!

A VOLTA DOS MORTOS VIVOS
(The Return of the Living Dead, Dan O’Bannon, 1985)

Uma toxina militar vaza de um de seus tanques, banha o solo de um cemitério e BUM!: mortos-vivos entram em cena. Longe do tom soturno da obra de George Romero, ou das reinvencões aceleradas de Zack Snyder ou Danny Boyle, nas mãos de O’Bannon o mote “a zoeira nunca termina” nunca foi tão real. O filme traz humor negro pesado e gore de primeira, em que a risada é sempre nervosa, e a expressão “miolos” nunca foi tão perfeita.

FOME ANIMAL
(Braindead/Dead-Alive, Peter Jackson, 1992)

A mãe controladora de um sujeito simplório o segue em um encontro num zoológico, é mordida por um macaco rato da Sumatra, vira um zumbi e sai matando geral. E é isso: o homem que depois daria ao mundo a trilogia O Senhor dos Anéis tratou de criar um dos banhos de sangue mais absurdos da história em seu começo de carreira. Em um filme que um cortador de grama vira uma arma contra os desmortos, você sabe que vale tudo. Absolutamente tudo.

BÔNUS ROUND!

Quarta-feira de… Cinzas!

E é isso. Se você sobreviveu ao massacre momesco, é hora de relaxar e curtir uma das trilogias mais sensacionais que o cinema já concebeu: é trash, assustadora, escatológica, absolutamente original e incrivelmente bem humorada! Ou seja, tudo que o Carnaval deveria ser!

A MORTE DO DEMÔNIO
(The Evil Dead, 1981)

UMA NOITE ALUCINANTE
(Evil Dead II, 1987)

UMA NOITE ALUCINANTE 3
(Army of Darkness, 1993)

Sam Raimi mal tinha saído da faculdade de cinema (na verdade, ele ainda não havia se formado) quando juntou seus amigos para criar “a experiência máxima em terror”. The Evil Dead (um título melhor por aqui seria “Os Mortos Malignos”), que custou um trocado, isolou uma turma numa cabana, colocou um livro maldito no lugar e libertou uma maldição ancestral. Com o sucesso do primeiro, Raimi teve mais grana e basicamente refilmou a mesma história, desta vez equilibrando mais os galões de sangue com humor adolescente. Para encerrar a trilogia, ele bolou um épico medieval que não perdeu nem uma gota do humor e do espírito zoeiro. Agora vai dormir que quinta-feira é dia de trabalho!

* os filmes listados aqui estão disponíveis ou no Netflix (e outros serviços de streaming), ou na locadora do bairro, ou na programação da TV fechada, ou na coleção de VHS/DVD do seu colega nerd, ou daquelas formas que eu NÃO VOU citar aqui mas, né…. Aproveita e conta aí embaixo como você planejou seu Carnaval. Alalaô!

Sobre o autor

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Sobre o blog

Cinema, entretenimento, cultura pop e bom humor dão o tom deste blog, que traz lançamentos, entrevistas e notícias sob um ponto de vista muito particular.

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