Blog do Sadovski

Marvel cria um fim dos tempos infanto-juvenil com o divertido Thor Ragnarok

Roberto Sadovski

19/10/2017 15h03

Marvel Studios' THOR: RAGNAROK..L to R: Hulk (Mark Ruffalo), Thor (Chris Hemsworth), Valkyrie (Tessa Thompson) and Loki (Tom Hiddleston)..Ph: Film Frame..©Marvel Studios 2017

Fato: a Marvel não tá nem aí. O cadáver da discussão “filme adulto é sombrio e realista” ainda nem esfriou e o estúdio dá uma guinada radical e cria seu filme mais assumidamente infanto-juvenil. Thor Ragnarok é uma aventura colorida e movimentada, cheia de criaturas estranhas, batalhas espaciais e tiradas bem humoradas: é um filme pra molecada. O quem, a essa altura do “campeonato de filmes de super-heróis”, surge como uma decisão sensata do ponto de vista comercial e surpreendente pelo olhar criativo. Sem falar que são poucos filmes em que o elenco parece de verdade estar curtindo cada segundo de trabalho. Como resultado a gente ganha um passatempo divertido, zoeiro e revigorante.

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O mérito é, claro, do diretor Taika Waititi. A Marvel tem sido muito esperta ao pincelar talentos inesperados em seu pool de colaboradores. Assim como Joss Whedon e James Gunn, o cineasta neo-zelandês alcançou sucesso no cinema independente ao imprimir sua voz bem particular em filmes como O Que Fazemos Nas Sombras e Hunt for the Wilderpeople. Ao ser colocado em uma produção de centenas de milhões de dólares, Waititi não só preservou sua voz como integrou sua visão ao grande esquema da Marvel. Como resultado, Thor Ragnarok é parte da engrenagem que move este universo, colocando mais um tijolo na grande trama que deve culminar ano que vem com Vingadores: Guerra Infinita, mas também funciona como filme-solo, sem a preocupação em servir de ponte para outras produções.

Cate Blanchett, majestosa como Hela, a Deus da Morte

Mais surpreendente ainda é Waititi conseguir este feito usando como ponto de partida as pontas deixadas em seus antecessores. Em Ragnarok, Loki (Tom Hiddleston) senta no trono de Asgard, como vimos ao fim de Thor: O Mundo Sombrio. O Hulk (Mark Ruffalo) encontra-se isolado em um planeta distante, depois de desaparecer no clímax de Vingadores: Era de Ultron. A ausência de Odin (Anthony Hopkins) no comando do reino dourado, porém, enfraquece os grilhões de Hela, a Deusa da Morte (Cate Blanchett, maravilhosa!), que retorna a nosso plano para recuperar seu poder, destruir Asgard e, quem sabe, transformar o resto da galáxia em cinzas. Ao confrontá-la, Thor e Loki são banidos para o planeta Sakaar, ponto de convergências de vários portais estelares. E é onde a diversão começa.

Sakaar é, por sinal, a maior homenagem que a Marvel já prestou a um de seus arquitetos, o desenhista Jack Kirby. Ao lado de Stan Lee, Kirby foi o responsável pela criação de dúzias de personagens da Marvel nos quadrinhos. Sua imaginação para um visual “cósmico” nos quadrinhos, trabalhada em mais de uma centena de edições de Quarteto Fantástico, é sentida em cada fresta, em cada edifício, em cada armadura, robô, alienígena e criatura mostrada em Sakaar. É um mundo colorido e impressionante, resultando em uma assinatura visual única, que Waikiki não se furta em explorar. É neste mundo também que Thor reencontra o Hulk – não como amigos, mas na arena como gladiadores. Desde Era de Ultron, Hulk não voltou a ser Bruce Banner, e traz o desenvolvimento emocional de uma criança de 2 anos. Boa parte do humor de Ragnarok vem da interação do Gigante Esmeralda com seus aliados, lembrando sua personalidade nos quadrinhos quando ele integrou a superequipe Defensores. Não é por acaso que Ragnarok traz também o Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) e a Valkíria (Tessa Thompson) – faltando apenas Namor para reunir o time original dos gibis.

Marvel Studios Thor: Ragnarok..On set with Director Taika Waititi and Chris Hemsworth (Thor)..Photo: Jasin Boland..©Marvel Studios 2017

Taika Waititi dirige Chris Hemsworth para ser um Thor melhor

Com Taika Waititi, Chris Hemsworth encontra também o parceiro perfeito para criar um Deus do Trovão bem desenhado, equilibrando a arrogância de sua primeira aparição (no filme de Kenneth Branagh) com o espírito colaborativo desenhado por Joss Whedon em dois Vingadores. Ragnarok é a melhor versão do herói e também o veículo perfeito para Hemsworth brilhar como astro. Não deixa de ser curioso seu Thor encontrar sua voz definitiva em um filme mais leve, ainda que não economize no drama familiar (fio condutor das aventuras do herói desde o princípio) nem na ação caprichada (a batalha inicial com Surtur, o Deus do Fogo, é um espetáculo). A essa altura, o Universo Cinematográfico Marvel poderia funcionar na inércia, repetindo as fórmulas e coletando seus dólares nas bilheterias mundiais. É revigorante, portanto, ver que o estúdio ainda encontra espaço para ousar e quebrar as expectativas, mesmo seguindo um caminho bem claro. Que isso tudo surja num filme tão despretensioso dá esperança para o futuro do, na falta de uma palavra melhor, “gênero”. E é pedir demais a presença compulsória de Matt Damon em tudo que a Marvel fizer de agora em diante?

Sobre o autor

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Sobre o blog

Cinema, entretenimento, cultura pop e bom humor dão o tom deste blog, que traz lançamentos, entrevistas e notícias sob um ponto de vista muito particular.

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