Blog do Sadovski

Uma super dose de Superman para se preparar para O Homem de Aço

Roberto Sadovski

07/07/2013 08h14

Eu assisti a todos os filmes do Superman no cinema. Bom, quase todos. Tirando o seriado com Kirk Alyn nos anos 40, e o já clássico Superman and the Mole Men, com George Reeves, lá estava eu na fila para conferir que o homem podia, de fato voar. Para ver o reboot do herói em O Homem de Aço, nada como fazer o dever de casa. Em outras palavras: fui conferir todas as aventuras cinematográficas do Último Filho de Krypton – e ver o que resistiu ao teste do tempo. Foi um fim de semana bacana, e eu ainda estou com o tema de John Williams ecoando na cabeça…

SUPERMAN pelos Irmãos Fleisher

Antes de começar a maratona, vale ressaltar que o Homem de Aço começou sua carreira no cinema como uma animação encomendada aos Max e Dave Fleischer em 1941 – somente três anos depois de sua estréia nos quadrinhos. Foram dezessete curtas rodados com orçamento recorde para a época (e o maior para uma animação até hoje, em valores corrigidos) que introduziram vários elementos do cânone do heróis – como seu poder de voo. Até então, o Superman só saltava sobre os prédios, o que não era dinâmico em movimento. A produção é primorosa até hoje, melhor que boa parte dos desenhos animados modernos devido ao perfeccionismo dos Fleischer. Curioso? É possível assistir a todos os curtas até como um aplicativo para celular…

SUPERMAN com Kirk Alyn

Se o voo do Superman foi uma invenção de sua primeira aparição no cinema, isso logo se mostrou um problema quando o herói ganhou um seriado. Em quinze capítulos, exibidos no cinema em 1948, Superman trouxe Kirk Alyn como o herói. Ex-bailarino, Alyn transformou o herói de papel em alguém de carne e osso. Mas quando ele tinha de voar, era novamente transformado em um cartoon. O seriado foi um sucesso e geriu uma continuação em 1950, Atom Man vs. Superman, em mais quinze capítulos que traziam Lex Luther como o vilão. Os seriados estão disponíveis em DVD no Brasil.

SUPERMAN AND THE MOLE MEN

Lee Sholem, 1951

Rodado em doze dias em Los Angeles, o filme de 58 minutos foi o primeiro longa (ok, média) protagonizado pelo Homem de Aço no cinema. Em preto e branco, foi um teste para George Reeves, que assumiu o personagem ainda relutante e não o deixou de lado praticamente pela década seguinte, até seu suicídio aos 45 anos. Superman and the Mole Men traz pouco da mitologia do herói, colocando-o em uma cidade do interior à frente de estranhos homens-toupeira, que saem do buraco perfurado por uma petrolífera. Perseguidas, as criaturas são encaradas como malignas e feridas pela população em pânico. Quando outras criaturas emergem do fosso, agora com armas capazes de aniquilar a cidade, Superman coloca-se entre eles e as pessoas da cidade. A trama de alienígenas invadindo a América, que surgiria em grande escala em outro lançamento do mesmo ano, O Dia Em Que A Terra Parou, apontava um caminho mais adulto para a subsequente série de TV. O Superman de Reeves aqui era totalmente desprovido de humor, e ainda era visto pelas pessoas como um estranho, não como um grande herói. Superman and the Mole Men é hoje mais uma curiosidade do que bom cinema: o filme é pobre e envelheceu mal.

Momento uau!

Superman dá lição de moral no malvado dono da petrolífera, que acha que pode resolver tudo com armas de fogo.

Bilheteria:

Menos de 3,5 milhões de dólares… mas o bastante para dar início à série de TV!

Estanho no ninho:

Clark Kent, que surge como uma desculpa para o Superman entrar em cena.

Fora da festa:

Bom humor, já que o filme tem um tom sério e nada heróico.

SUPERMAN – O FILME

Richard Donner, 1978

Os produtores Alexander e Ilya Salkind compraram os direitos do Superman em 1973, e logo partiram para viabilizar uma versão digna do Homem de Aço. Nos anos seguintes, eles encomendaram um roteiro a Mario Puzo (autor de O Poderoso Chefão) e assinaram com Marlon Brando e Gene Hackman. O projeto agora tinha peso, e foi assim que, depois de rejeitar Steven Spielberg, e de perder o diretor de vários James Bond, Guy Hamilton, eles fecharam com Richard Donner. A escolha de Christopher Reeve para o papel do herói foi um toque de gênio. Lançado em 1978, Superman – O Filme ainda retém toda sua magia, um romance fantástico transformado em aventura de super-herói, executado com toda a tecnologia que Hollywood então tinha em mãos. A trama, vista hoje, é ingênua e cheia de buracos, mas é inegável que a força da direção de Donner e o charme de Christopher Reeve continuam atemporais. De todas as aventuras do herói no cinema, é a que melhor cumpre a promessa de mostrar que o homem podia, sim, voar.

Momento uau!:

“Você me salvou? E quem salva você?” Lois Lane (Margot Kidder) está em um helicóptero acidentado, pendurado no topo do prédio do Planeta Diário. Ela cai, e de repente surge o Superman para o resgate – a primeira vez que ele aparece em público. É uma das sequencias mais primorosas da história do cinema, uma combinação perfeita de tecnologia, montagem, música e, claro, charme.

Bilheteria:

134,218,018 milhões de dólares (300,218,018 em todo o mundo)

Estranho no ninho:

Larry Hagman, o Major de Jeanie É Um Gênio (e o JR de Dallas), surge como… um major do exército americano.

Fora da festa:

Guy Hamilton, diretor de 007 Contra Goldfinger, saiu do projeto quando os produtores decidiram filmar na Inglaterra. Por causa de problemas com o fisco inglês, ele não podia passar mais de um mês por ano em solo britânico.

SUPERMAN II – A AVENTURA CONTINUA

Richard Lester, 1980

Superman e Superman II teoricamente seriam rodados ao mesmo tempo, mas uma agenda apertada fez com que Richard Donner se concentrasse no primeiro filme. Para finalizar o segundo, Donner queria mais controle, então os Salkind trouxeram o diretor Richard Lester para assumir o projeto. Com uma mão mais cômica e menos épica, e trabalhando com fragmentos já filmados por Donner (todas as cenas com Gene Hackman, por exemplo, já estavam prontas, e Lester nunca trabalhou com o ator), o diretor miraculosamente armou uma aventura tão digna quanto a anterior, com o Superman combatendo o General Zod (Terrence Stamp) e dois outros vilões kryptonianos. Para acentuar o aspecto romântico, o Superman abdica de seus poderes para ficar com Lois Lane, e depois tem de recuperá-los e salvar o mundo. Em 2006, uma versão mais fiel à visão original de Richard Donner foi lançada em DVD, eliminando quase todos os aspectos cômicos da cópia original e anabolizando o combate nas ruas de Metrópolis.

Momento uau!

“General, você se importa de vir aqui para fora?” De volta com seus poderes, Superman desafia Zod e seus comparsas em um combate nas ruas (e nos céus) de Metrópolis. Mesmo com a tecnologia da época (maquetes e bonecos são claramentos visíveis), a cena é primorosa e empolgante. Um combate superpoderoso que o cinema jamais tinha testemunhado antes.

Bilheteria:

108,185,706 milhões de dólares

Estranho no ninho:

Clifton James, o xerife Pepper das aventuras de 007 Viva e Deixe Morrer e O Homem Da Pistola de Ouro, entra em cena fazendo basicamente o mesmo personagem.

Fora da festa:

Richard Donner, ejetado pelos produtores, viu seu filme remontado e concluído por outro diretor.

SUPERMAN III

Richard Lester, 1983

Depois de Superman II, os Salkind mantiveram Richard Lester na cadeira de diretor, e o resultado é uma comédia de Richard Pryor que calhou de ter o Homem de Aço na trama. Sem exagero, o terceiro filme do herói é centrado no gênio da computação interpretado por Pryor – um fã de quadrinhos e o comediante mais bancável de Hollywood na época. Ele convence um magnata (Robert Vaughn) a construir um supercomputador capaz de derrotar o Superman, mas nào antes de perverter siua personalidade com um pedaço artificial de kryptonita. É o único momento que Superman III brilha, mas é pouco como uma aventura triunfante do herói. Bizarramente, o roteiro original trazia Brainiac como o vilão principal, e a Supergirl como o interesse romântico do Superman – mesmo que, nos quadrinhos, eles fossem primos.

Momento uau!

“Você sempre quis voar, Kent… É a sua chance!” Dividido em duas personalidades, Superman enfrenta Clark Kent em um duelo de superpoderes em um ferro velho. É uma cena bem orquestrada, que distoa de todo o resto do filme.

Bilheteria:

59,950,623 milhões de dólares

Estranho no ninho:

Annette O’Toole, que entra em cena como Lana Lang, paixão de Clark da época de Smallville. Curiosamente, a atriz interpretou a mãe de Clark Kent quando a saga da juventude do herói se tornou a série Smallville, que durou uma década na TV.

Fora da festa:

Brainiac, o vilão original do filme, foi rejeitado pelo estúdio, que queria centralizar a trama em Richard Pryor. Ainda assim, o supercomputador que surge no clímax da aventura traz elementos do vilão mecânico.

SUPERGIRL

Jeannot Szwarc, 1984

A Supergirl perdeu a chance de entrar em cena em Superman III, mas ganhou uma aventura própria no ano seguinte. Determinado a manter a série coerente, Ilya Salkind planejou Supergirl como um spin-off da série principal, mas queria manter os universos compartilhados. Mas pouca coisa funcionou no filme, que trouxe a estreante Helen Slater como a heroína. Em primeiro lugar, Faye Dunaway surge histérica como a vilã, Selena. Originalmente ela usaria mágica para derrotar o Superman, e a Supergirl, que chega à Terra ao escapar da cidade de Argo, salvaria o dia. Mas Christopher Reeve não deu as caras, e a trama foi retrabalhada em uma baboseira envolvendo um aparelho capaz de salvar Argo da destruição. A indefinição do rumo a seguir sepultou Supergirl logo em seu primeiro filme – mas ao menos ela voa direitinho…

Momento uau!

“Clark Kent? Ele é meu primo” Apesar da bomba que é o filme, Supergirl fala em alto e bom tom seus laços com Homem de Aço. Não dá para não esboçar o sorriso num exercício de “o que aconteceria se…”.

Bilheteria:

14,296,438 milhões de dólares

Estraho no ninho:

Marc McClure é, mais uma vez, o fotógrafo Jimmy Olsen. Ele é o único ator a aparecer em todos os filmes da série – pelo menos antes de sua reestruturação moderna.

Fora da festa:

Christopher Reeve, o próprio Superman, estava escalado para fazer uma participação no começo e no fim do filme. Mas Reeve alegou outros compromissos e, talvez sentindo o tamanho da bomba, foi pendurar sua capa bem longe. O que nos leva a…

SUPERMAN IV – EM BUSCA DA PAZ

Sidney J. Furie, 1987

Um dos erros de muitos produtores é acreditar que um ator, por estar envolvido com um personagem há muito tempo, o entende com a palma da mão. Outro erro é deixa que este ator escreva o argumento do filme com uma trama que já começa errada. Traduzindo: Christopher Reeve assinando a história do quarto Superman. Planejado para comemorar os cinquenta anos do herói, o filme quase perdeu seu protagonista, que só topou voltar se colocasse a mão no texto. Reeve, um sujeito bacana, queria passar uma mensagem, e cometeu o erro que Richard Donner já havia alertado: nunca coloque o Superman para resolver os problemas do mundo real. No caso, a ameaça de uma guerra nuclear. Com a Warner passando a produção para a picaretíssima Cannon Films, o orçamento de Superman IV foi retalhado de 35 para 17 milhões de dólares, obrigado o diretor Sidney Furie a reutilizar cenas de efeitos especiais em pontos diferentes do filme. Gene Hackman voltou como Lex Luthor, mas foi pelo contracheque. Luthor criou, usando DNA do Superman, um clone atônico, o Homem-Nuclear (o sofrível “ator” Mark Pillow), e o filme se perde em cenas paupérrimas de luta pelo globo. Nada se salva, e Superman IV seria o pior filme da história da DC se não fosse por Batman & Robin, lançado uma década depois. Mas o páreo é duro.

Momento uau!

Hmmm… pode ficar devendo?

Bilheteria:

15,681,020 milhões de dólares

Estranho no ninho:

Jim Broadbent, ator sério e oscarizável, surge como um dos líderes mundiais chantageados por Luthor. Entra mudo e sai calado.

Fora da festa:

Bizarro, a cópia disforme do Superman nos quadrinhos, aparece como o primeiro clone criado por Luther. Mas a cena, filmada, ficou de fora do corte final. You Tube é uma beleza…

SUPERMAN – O RETORNO

Bryan Singer, 2006

Quase vinte anos depois, o Homem de Aço voltou aos cinemas pelas mãos de um apaixonado. O diretor Bryan Singer, que fez história ao viabilizar o gênero “adaptações de heróis dos quadrinhos” com X-Men (2000) e X2 (2003) largou a terceira aventura dos mutantes para recriar o Superman no cinema. O que ele fez, no fim das contas, foi uma refilmagem romântica do filme original de Richard Donner: a trama de Superman – O Retorno é um carbono do plano de Lex Luthor (agora Kevin Spacey) no filme de 1978 e sua obsessão por ser dono de um pedaço enorme de terra. A diferença aqui é que ele quer um novo continente, recriado à imagem de Krypton, no meio do Atlântico – destruindo o norte da América no processo. Ignorando o terceiro e quarto filmes com Christopher Reeve, este Retorno continua a trama dos dois primeiros filmes, utilizando elementos do original sem economia. Mas Singer errou ao fazer de seu Homem de Aço um herói romântico, esquecendo que, no século 21, o cinema precisa de ação, principalmente quando seu protagonista é o Superman. Brandon Routh, por sinal, teve a infeliz tarefa de repetir o trabalho de Christopher Reeve, mas no fim das contas nem se saiu mal. Quer assistir a Superman – O Retorno sem traumas? Então encare o filme como o fim da trilogia inaugurada por Superman – O Filme e Superman II. Fica melhor assim.

Momento uau!

“Tem algum tipo de objeto não identificado… e está se aproximando com velocidade!” O retorno do Superman, resgatando um ônibus espacial e um boeing em queda livre, ainda é de encher os olhos.

Bilheteria:

$200,081,192 milhões de dólares (391,081,192 em todo o mundo)

Estranho no ninho:

Marlon Brando, recriado por computador, volta como Jor-El, o pai do herói. Queria ver quanto ele pediria se estivesse vivo…

Fora da festa:

Krypton, ou pelo menos os restos destroçados do planeta, era palco da sequencia de abertura do filme, com Kal-El, o Superman, guiando uma nave em forma de estrela entre os restos radiativos do planeta morto. Uma sequencia de 10 milhões de dólares, depois cortada por Bryan Singer.

E foi assim que eu me senti depois de uma overdose de Superman…

E por enquanto chega de Superman… mas este é só o começo do aquecimento para O Homem de Aço. Stay tuned!

Sobre o autor

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Sobre o blog

Cinema, entretenimento, cultura pop e bom humor dão o tom deste blog, que traz lançamentos, entrevistas e notícias sob um ponto de vista muito particular.

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