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As melhores histórias em quadrinhos com o Wolverine escolhidas a dedo

Roberto Sadovski

06/08/2013 00h06

Com Wolverine Imortal mostrando uma trama bacana de Logan no cinema (se você não viu, vá e veja, o filme é bem incrível), é um ótimo momento para lembrar das origens do personagem, entender como é que um coadjuvante do gibi do Hulk se tornou um dos maiores astros da Marvel. E lá se vão quase quatro décadas desde que Len Wein e John Romita (mais o auxílio luxuoso de Herb Trimpe) criaram o mutante canadense – mesmo que, em sua concepção, ele talvez não fosse mutante, muito menos canadense, talvez sequer humano. Mas quando o herói foi colocado nos novos X-Men, a equipe internacional de mutantes que estava sendo reformulada, as coisas começaram a mudar. A base sólida veio com a entrada do desenhista John Byrne que, ao lado do roteirista Chris Claremont, traçaram o Wolverine que conhecemos hoje. Foi um longo caminho pavimentado por dezenas de artistas talentosos.

Eu puxei de cabeça as histórias mais representativas de Logan (ou James Howlett, continue lendo…), o homem que se tornaria um dos símbolos da Marvel – inclusive no cinema! Coloquei tudo em ordem cronológica, com os títulos originais e os gibis gringos em que foram publicados para ajudar em sua caçada pelas histórias que definiram o herói mutante. Algumas, já adianto, serão bem difíceis de encontrar. Ah, e se você sentiu falta de algum conto do Wolverine na lista a seguir, provavelmente foi algum que não fez muito a minha cabeça e eu o deixei de fora – mas sinta-se livre para citar nos comentários. Quanto mais boas histórias, melhor!

"WOLVERINE SOZINHO!"

("Wolverine Alone!", The Uncanny X-Men 132-133, 1980)

Chris Claremont, John Byrne

No meio da "Saga da Fênix Negra", Claremont e Byrne começaram a colocar as garras de fora, mostrando que o Wolverine era bem mais que só um membro da equipe de mutantes. Com os X-Men capturados pelo Clube do Inferno, coube a Logan, único ainda à solta, armar o resgate de seus companheiros da maneira que ele faz melhor: soltando sua fúria e mostrando que não existe inimigo pior que um animal encurralado. A imagem de ele emergindo do esgoto, dizendo "agora é minha vez", tornou-se icônica.

 

"DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO"

("Days of Future Past", The Uncanny X-Men 141-142, 1981)

Chris Claremont, John Byrne

A última colaboração de Claremont e Byrne no título dos X-Men – e inspiração para o próximo filme com os mutantes que estreia ano que vem – mostrou um futuro sombrio, com a humanidade à mercê dos gigantescos robôs Sentinelas e toda a raça mutante ou morta ou capturada em campos de concentração. Exceto, claro, Wolverine, ainda à solta e crucial para o plano de mandar um membro da equipe de volta no tempo para prevenir a tragédia. O ataque aos robôs no clímax da trama não é o melhor momento do herói…

 

"WOLVERINE"

(Wolverine Original Mini Series 1-4, 1982)

Chris Claremont, Frank Miller

A série que inspirou Wolverine Imortal levou Logan ao Japão no traço do megastar Frank Miller. A natureza selvagem do herói entrou em choque com os conceitos de honra e lealdade seculares dos samurais nipônicos, e seu amor por Mariko, envolvida num jogo de poder entre seu pai, Shingen, os ninjas do Tentáculo e a máfia japonesa, foi o catalizador de sua aventura. Um verdadeiro clássico e, até hoje, a melhor história com o Wolverine nos quadrinhos.

 

"KITTY PRYDE & WOLVERINE"

(Kitty Pryde & Wolverine Mini Series 1-6, 1984/85)

Chris Claremont, Al Milgrom

Dando continuidade à saga de Logan no Japão, esta mini em seis partes marcou o amadurecimento de Kitty Pryde, que deixa de ser uma adolescente em conflito com sua identidade para encontrar seu verdadeiro chamado – o de uma guerreira ninja – em um conflito com um dos mestres do mutante canadense. Emocionante, a série mostra Logan em busca da paz com seu lado bestial, mais aclimatado aos costumes milenares do Japão… e arrebentando tudo nas cenas de luta desenhadas pelo mestre Al Milgrom.

 

"LOBO FERIDO"

("Wounded Wolf", The Uncanny X-Men 205, 1986)

Chris Claremont, Barry Windsor-Smith

Uma das mais belas histórias do Wolverine o coloca ao lado da pequena Chispinha, do Quarteto Futuro, que o ajuda a reencontrar sua humanidade depois de Logan ser brutalmente atacado pela mutante Lady Letal. Mais animal que homem, o Wolverine entra num conflito que depende mais de sua decisão em não liberar a fera do que em cortar carne, ossos e metal com suas garras. Ainda assim, no traço elegante de Windsor-Smith, ele não deixa de derramar sangue – para uma HQ nos anos 80, mais do que poderia se imaginar.

 

 

"TESS ONE"

(Captain America Annual 8, 1986)

Mark Grenwald, Mike Zeck

Wolverine encontra o Capitão América, mas não é um team up tradicional. Sempre o líder, o Capitão tenta encontrar um meio termo para trabalhar com o irrascível mutante que não segue ordens, mas funciona por instinto. O choque entre os dois resulta em uma batalha de garras de adamantium contra escudo de vibranium, antes de os heróis resolverem suas diferenças para salvar o dia. A parte engraçada? O Capitão dizendo a Logan que ele jamais teria lugar nos Vingadores… A arte de Mike Zeck, por sinal, é de encher os olhos!

 

"SALVE A TIGRE"

("Save the Tiger", Marvel Comics Presents 1-10, 1988)

Chris Claremont, John Buscema

Antes de ganhar título próprio, Logan se tornou protagonista de histórias curtas na antologia MArvel Comics Presents. O primeiro arco no título o levou à ilha de Madripoor, que se tornou sua segunda casa. No traço do mestre John Buscena, ao lado de Jack Kyrby o maior desenhista de super-heróis da história, Wolverine deixa o uniforme de lado e abraça uma aventura incomum, ao lado de Jessica Drew (a Mulher-Aranha) em uma caracterização até então impensada para um "herói de gibis".

 

"CÍRCULO VICIOSO"

("Vicious Circle", The Incredible Hulk 340, 1988)

Peter David, Todd McFarlane

Peter David foi o melhor roteirista que o Hulk já teve, e com o traço de Todd McFarlane ele colocou o Hulk, então cinza, inteligente e brutalmente canalha, numa batalha de músculos, garras e provocações com o Wolverine, que hesitava em libertar sua natureza selvagem. O confronto de titãs – lembrando que foi para lutar com o Gigante Esmeralda que Wolverine foi criado – vai de encontro com as expectativas e resulta numa análise da fera que existe dentro de cada um.

 

"CAOLHO"

("Patch", Wolverine 1-3, 1988)

Chris Claremont, John Buscema

Finalmente em seu título próprio, Wolverine tratou de ressaltar sua personalidade. Para isso, Claremont e Buscema se livraram de vez de seu traje com os X-Men (inclusive na capa do gibi) e o substituíram por uma roupa negra, adequada para as ações à margem do herói. Para se distanciar ainda mais dos X-Men, Logan deixou o nome Wolverine de lado e passou a criar uma nova lenda em Madripoor, a do Caolho. Com a nova revista, o status de astro de Wolverine estava consolidado.

 

"24 HORAS"

("24 Hours", Wolverine 10, 1988)

Chris Claremont, John Buscema

Neste conto que volta no tempo, Claremont e Buscema – em uma arte crua e brutal – tentam jogar luz nas origens de Wolverine, colocando-o numa época antes de ele entrar no programa Arma X, enfrentando o Dentes de Sabre. A morte de sua amada e o confronto com seu nêmesis dão o norte da trama, que claramente inspirou parte do roteiro do malfadado X-Men Origens: Wolverine. Aqui sim é uma briga que vale a pena ver!

 

"FUSÃO"

(Havoc and Wolverine: Meltdown 1-4, 1989)

Walter Simonson, Louise Simonson, Jon J. Muth, Kent Williams

A arte nesta minissérie ficou dividida entre os ilustradores Jon Muth e Kent Williams – o primeiro, mais "claro", ficou à cargo do mutante Destrutor; o segundo, mais agressivo, tomou conta do Wolverine. Os dois precisam ir à Rússia enfrentar uma ameaça nuclear, mas a trama é o que menos importa: visualmente acachapante, "Fusão" retratou Logan da maneira que ele deve ser: baixinho, musculoso, brutal. Cada página, cada luta, cada momento é uma obra de arte.

 

 

"CAVALEIROS DE MADRIPOOR"

("Madripoor Knights", The Uncanny X-Men 268, 1990)

Chris Claremont, Jim Lee

Cada vez mais as origens do Wolverine ficavam mais claras – e, ao mesmo tempo, mais confusas. Claremont e Jim Lee o colocaram neste pequeno conto em Madripoor, no auge da Segunda Guerra Mundial, lutando ao lado do Capitão América e da Viúva Negra. Incrível como, em suas melhores histórias, Wolverine é só Logan: não o super-herói, mas o mutante feroz, experiente e trágico. Na arte de Lee, por outro lado, ele surge como em um blockbuster de cinema, dinâmico e espetacular.

 

"SEDE DE SANGUE"

("Bloodlust", Wolverine Annual 2, 1990)

Alan Davis, Paul Neary

As edições anuais do Wolverine costumavam ser one-shots especiais, e este não foi diferente. Com Alan Davis no comando, Wolverine encontra uma raça de seres místicos contaminados pela brutalidade, o que faz deles assassinos cruéis e implacáveis. Logan precisa, então, encontrar sua paz interior e não se render à sede de sangue para resgatar estes seres do lado sombrio da natureza animal – ao mesmo tempo em que precisa controlar a si mesmo.

 

"ESCOLHAS SANGRENTAS"

 

(Wolverine: Bloody Choices Graphic Novel, 1991)

Tom DeFalco, John Buscema

Tom De Falco, auxiliado pelo grande Buscema, liberou aqui o lado justiceiro implacável do Wolverine – um homem que, ante o pior que o ser humano pode oferecer, aumenta a escala da violência para trazer justiça e equilíbrio. Ao caçar um político pedófilo, mas importante paa uma investigação da SHIELD, Logan entra em choque com Nick Fury, que faz seu dever como agente da lei, mas sabe que nada pode ficar no caminho do Wolverine.

 

"ARMA X"

("Weapon X". Marvel Comics Presents 72-84, 1991)

Barry Windsor-Smith

Finalmente a peça mais importante da origem de Logan foi desvendada pelo incrível Barry Windsor-Smith. "Arma X", que surgiu em Marvel Comics Presents, detalhou o programa que fundiu os ossos do mutante com o metal indestrutível adamantium e mostrou o lado selvagem do Wolverine completamente sem amarras. Tratado como um animal de laboratório, sem poder confiar em suas próprias memórias, ele rompe a barreira de fantasia e realidade com pura violência. Uma obra-prima.

 

"ORIGEM"

(Origin 1-6, 2001/02)

Paul Jenkins, Andy Kubert

Depois de X-Men inaugurar uma nova era da Marvel no cinema, os editores dos quadrinhos sabiam que era questão de tempo até os produtores bolarem uma origem para o herói na tela grande. Para não correr riscos, a Marvel finalmente revelou as raízes de Logan – na verdade James Howlett, que vem de uma tragédia familiar no século 19 para galgar os passos como um dos personagens mais ferozes das HQs. A trama de Paul Jenkins e Andy Kubert é brilhante – e não perde o peso nem com as revisões recentes que removeram um pouco do mistério do Wolverine. Ainda assim, "Origem" é exemplar.

 

"PLANETA X"

("Planet X", New X-Men 146-150, 2004)

Grant Morrison, Phil Jimenez

O relacionamento de Logan e Jean Grey chega ao ápice com a imaginação de Grant Morrison, que concluia seu trabalho com os X-Men neste conflito final com Magneto (quem no fim, nem se tornou tão definitivo). Não importa. À caminho de morrer no Sol, Logan e Jean fazem um pacto final, com o mutante matando sua amiga – e, às portas da própria morte, liberta a Força Fênix. A conclusão, com Logan libertando o animal incontrolável que é o Wolverine, ficou para a história.

 

"INIMIGO DO ESTADO"

("Enemy of the State", Wolverine 20-25, 2005)

Mark Millar, John Romita Jr.

Com seu título mensal renovado em ótimas histórias de Greg Rucka, Wolverine ganhou cara de produção hollywoodiana quando Mark Millar assumiu o título: em uma lavagem cerebral realizada pelo Tentáculo, Logan se torna o mais letal inimigo de todos os heróis do Universo Marvel, que promovem uma caçada implacável para capturar – e, se for o caso, matar! – o mutante. Empolgante e acelerada, a trama ganha força com o traço inigualável de John Romita Jr, que retrata Wolverine perigoso como nunca.

 

"PEGUE A MÍSTICA!"

("Get Mystique!", Wolverine 62-65, 2008)

Jason Aaron, Ron Garney

O plot não poderia ser mais simples: WOlverine precisa encontrar a mutante Mística – e ele não quer capturá-la! EM um jogo de gato e rato (mas quem é quem?) cada vez mais tenso, o roteirista Jason Aaron revela que os mutantes tem uma história juntos, e essa história sempre foi marcada por traição, balas, sangue e morte. O clímxa, realizado pelo traço sensacional de Ron Garney, mostra o que acontece quando dois dos mutantes mais perigosos do planeta se encontram – e nenhum está disposto a perder.

 

"LOGAN"

(Logan 1-3, 2008)

Brian K. Vaughn, Eduardo Risso

No Japão, e em posso de suas memórias, Logan precisa fazer as pazes com seu passado. Ele se lembra da Segunda Guerra Mundial, quando ele e outro soldado fogem de um campo de prisioneiros nipônico e encontram uma bela mulher – a quem Logan se afeiçoa e vislumbra um futuro de paz. Mas ele está em Hiroshima, o outro soldado não quer deixar passar a "traição" e a explosão da bomba transforma o idílio em tragédia, um "fantasma" que, agora, Logan precisa fazer repousar. Eduardo Risso, de 100 Balas, é responsável pela arte.

 

"O VELHO LOGAN"

("Old Man Logan", Wolverine 66-72, Wolverine Giant-Size Old Man Logan, 2009)

Mark Millar, Steve McNiven

Para encerrar seu trabalho com Wolverine, Mark Millar vai a um futuro pós-apocalíptico, quando uma tragédia transformou Logan num fazendeiro pacifista, lidando com os herdeiros brutais do Hulk e obrigado a usar mais uma vez suas garras para salvar sua família e, quem sabe, redimir sua alma do maior pecado que ele já cometeu. Steve McNiven não pouca sangue e brutalidade, e a história toma um rumo inesperado e trágico quando Logan percebe que um homem como ele não tem o direito à paz.

 

"WOLVERINE VAI PARA O INFERNO"

("Wolverine Goes to Hell", Wolverine 1-5, 2010)

Jason Aaron, Renato Guedes

Jason Aaron e o brasileiro Renato Guedes matam Logan e o condenam ao inferno – literalmente! Nesta trama metafísica de vingança extrema, Wolverine é levado a enfrentar seus demônios na unha, em uma trama que altera a relação de Logan com seu passado para sempre. Culpa, sangue e vingança conduzem "Wolverine Vai Para o Inferno" com brutalidade, e a conclusão é a prova de que, para o homem chamado Wolverine, não existe ação sem consequências, não existe um tempo para a paz.

Sobre o autor

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Sobre o blog

Cinema, entretenimento, cultura pop e bom humor dão o tom deste blog, que traz lançamentos, entrevistas e notícias sob um ponto de vista muito particular.

Roberto Sadovski