Blog do Sadovski

A Culpa É das Estrelas é um belo romance trágico para a nova geração

Roberto Sadovski

05/06/2014 20h03

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A Culpa É das Estrelas é uma história de amor fofa. É também um autêntico tearjerker, filmes calculados para deixar a platéia aos prantos – às vezes já no começo da projeção. O que não é nenhum pecado. O drama, uma adaptação do ótimo livro de John Green, traz um romance trágico emoldurado por lições de vida, discursos apaixonados, reviravoltas e nem um pingo de cinismo. O que o coloca vários e vários patamares acima das centenas de dramalhões despejados no cinema e na TV é não só a honestidade bem vinda acerca do tema que impulsiona a história, mas principalmente a química sem igual de seu casal central. Dá para chorar, para rir e para aplaudir – na sessão que eu acompanhei de A Culpa É das Estrelas, ao lado de fãs do livro, a energia que emanava dava para iluminar uma cidade e a emoção era palpável. Há tempos que um filme sobre adolescentes e para adolescentes não tem uma pegada tão visceral, tão universal e tão bacana.

A protagonista é Hazel Grace Lancaster, 16 anos, doente terminal de um câncer que corrói seus pulmões e a obriga a andar o tempo todo com um tanque de oxigênio portátil. Mas você não vai enxergar em Hazel uma menina amarga, deprimida ou cheia de raiva. Ela já sabe que seu caminho é curto, e parece determinada a não deixar que a doença a defina. Seus olhos serenos brilham quando, num grupo de apoio a doentes com câncer, ela conhece Augustus Waters, ou simplesmente Gus. Com uma perna perdida para um câncer ósseo, ele é em partes iguais charme, humor e otimismo. Gus e Hazel Grace estão destinados a ser um casal – o casal! E não é algo como o câncer que vai ficar entre eles.

Shailene Woodley e Ansel Elgort com o autor John Green no set de A Culpa É das Estrelas

Shailene Woodley e Ansel Elgort com o autor John Green no set de A Culpa É das Estrelas

Shailene Woodley e Ansel Elgort nasceram para ser um casal no cinema. Vai além de química, o que eles tem é cumplicidade. Eles transmitem empatia não só pela condição um do outro, mas um entendimento pelo tempo curto que eles dispõe. Ainda assim, o romance não surge apressado, e sim na hora certa, depois que a trama engata e os coloca, juntos, numa viagem a Amsterdan para que Hazel encontre o autor do livro que mudou sua vida. Hazel e Gus são almas gêmeas, e a alegria por ver os dois finalmente juntos não é abreviada com o conhecimento do que vem depois. Afinal, não se engane: entre as declaracões de amor e os olhares apaixonados, tem muita dor, vômito, passagens pelo hospital, tratamento, elegias, igrejas, cemitério. Morte. Shailene e Ansel abraçam todas as realidades de Hazel e Gus e constroem um casal real, maduro para sua idade, com medo do que está por vir mas fortes quando estão juntos. É agridoce acompanhar os dois, ainda mais sabendo que o final será trágico.

A história do cinema, por sinal, é recheada de romances fadados à tragédia. Cada geracão acompanhou, lágrimas lavando o rosto, o amor triunfando nas situações mais adversas – uma vitória muitas vezes amarga. A verdade é que um final feliz dificilmente surge sem ser levemente bobo, sem ter cara de novelão. A tragédia é dramaticamente mais interessante porque vai de encontro com o anseio da platéia e amplifica o sentimento do casal da obra. Romeu e Julieta ou O Morro dos Ventos Uivantes não tem sua longevidade ao acaso. Rick e Elsa não ficaram juntos em Casablanca, Dr. Zhivago perdeu sua Lara, A “história de amor” de Jenny e Oliver foi breve e fulminante. Jack disse adeus à Rose e afundou junto com o Titanic. Todos fenômenos, todos resistiram ao teste do tempo.

John Green observou cada uma destas histórias ao criar A Culpa É das Estrelas. Sua amizade com a adolescente Esther Earl, que morreu de câncer aos 16 anos, foi determinante para traçar a personalidade de Hazel Grace. Assim como no livro, o filme usa de diálogos inteligentes e uma construção narrativa que, embora absurdamente familiar, faz a trama se mover com com fluidez. No fim das contas, não importa se o filme pareça derivativo (não é), ou se é emocionalmente manipulativo (é, mas você não vai reclamar). O ataque às fossas lacrimais é brutal. Mas nunca é gratuito. No dia seguinte você vai sorrir ao lembrar do filme e vai, com o coração leve e sincero, acreditar que o amor vale a pena – e é mesmo infinito, mesmo quando medido entre números curtos. O.K.?

Sobre o autor

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Sobre o blog

Cinema, entretenimento, cultura pop e bom humor dão o tom deste blog, que traz lançamentos, entrevistas e notícias sob um ponto de vista muito particular.

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