Blog do Sadovski

Do pior ao melhor, um ranking com todos os filmes da Marvel

Roberto Sadovski

13/11/2016 04h45

Newmarvelstudioslogo

Doutor Estranho chega em sua segunda semana em cartaz ainda no topo das bilheterias. Se alguém me falasse uma década atrás que o Mago Supremo seria protagonista de um filme de sucesso, certeza que eu daria risada. Mas a Marvel conseguiu este feito. Oito anos e quatorze filmes depois de iniciar seu Universo Cinematográfico, o gigante do entretenimento, parte da Disney há alguns anos, aperfeiçoou uma fórmula que alia qualidade com sucesso que muitos estúdios estão correndo atrás do prejuízo para copiar.

Mas nem tudo é essa beleza toda, e a Marvel já deu algumas escorregadas. Mesmo que nenhum dos filmes seja um dejeto cinematográfico (cofcofBvScofcof…), alguns não atingiram o nível de excelência esperado e existem apenas para cumprir tabela. Pense em “Marvel” como uma longa série, completamente interconectada, com alguns capítulos mais preguiçosos do que outros. Eu revi a todos antes do lançamento de Doutor Estranho e organizei tudo em um ranking bacana, que você confere a seguir – vale ressaltar que só coloquei no bolo os filmes do Universo Cinematográfico Marvel, ficando de fora as produções que contam com o selo do estúdio mas não fazem parte deste mundo compartilhado, como os X-Men da Fox e os cinco Homem-Aranha da Sony. Concorda, discorda, quer pedir uma pizza? Então capricha nos comentários!

14- THOR: O MUNDO SOMBRIO
(Thor: The Dark World, Alan Taylor, 2013)

dark world

Uma história de amor que nunca convence, um vilão ausente e muito corre corre sem propósito marcam o segundo filme do Deus do Trovão no cinema. O diretor Alan Taylor não gostou nem um pouco de trabalhar ao lado do “coletivo” que direciona os filmes da Marvel e sua insatisfação está impressa em cada pedaço deste Mundo Sombrio. O show, para variar, é de Tom Hiddleston, que fez de Loki o antagonista mais bacana de todos os filmes deste universo. Mas seu charme é pouco para salvar essa aventura esquecível, confusa e, no fim das contas, dispensável.

13- HOMEM DE FERRO 2
(Iron Man 2, Jon Favreau, 2010)

iron man 2

É quase impossível acreditar que o mesmo Jon Favreau comandou as duas aventuras do Vingador Dourado. Se o primeiro filme (que está bem mais perto do topo nesta lista) é charmoso e surpreendente, a única função da segunda parte foi ajudar a estabelecer o Universo Marvel como uma entidade que ia bem além de aventuras isoladas. Assim, a SHIELD tem um papel mais decisivo, assim como a Viúva Negra ganha sua estreia no cinema. Mas Homem de Ferro 2 ainda sobrevive alimentado exclusivamente pelo charme infinito de Robert Downey Jr., que compreendeu seu papel dentro da Marvel e se tornou o jogador mais valioso do time.

12- O INCRÍVEL HULK
(The Incredible Hulk, Louis Leterrier, 2008)

hulk

Pouca gente lembra que o segundo filme com o Gigante Esmeralda é parte integral do UCM (vamos abreviar a coisa a partir daqui). Depois que Mark Ruffalo criou sua melhor versão em Os Vingadores, porém, é tenso rever Edward Norton pouco à vontade como Bruce Banner, que foge dos militares em busca do segredo da radiação gama em suas veias. Depois da criatura emborrachada do filme de Ang Lee (que fez Hulk em 2003), o design digital melhorou um pouco, mesmo que muitas vezes não pareça parte do cenário. Ainda assim, o clímax no Harlem, destruido num quebra-pau do Hulk com o Abominável (Tim Roth) é caprichado. William Hurt, o general Thadeus Ross, voltou à cena em Capitão América: Guerra Civil. O resto do elenco não teve tanta sorte assim….

11- THOR
(Kenneth Branagh, 2011)

thor

Thor deixou claro o maior atributo da Marvel: escolher os atores certos para papéis-chave. O filme de Kenneth Branagh, uma fantasia cósmica que infelizmente passa pouco tempo no reino místico de Asgard e concentra a ação na Terra, trouxe dois dos maiores acertos de elenco do estúdio. Como Thor, Chris Hemsworth equilibra arrogância e majestade, poder e lealdade – mesmo que ele se sobressaia muito mais em filme com outros jogadores do mesmo tabuleiro de heróis. Mas o filme é de Tom Hiddleston (mais uma vez), que deu a Loki a ambiguidade necessária para que o Deus da Mentira surgisse como grande engrenagem na máquina da Marvel. Com motivações reais e uma mistura de fúria, carência e desespero, é em Loki que o filme de Branagh encontra seu pulso.

10- VINGADORES: ERA DE ULTRON
(Avengers: Age of Ultron, Josh Whedon, 2015)

age of ultron

Se existe um pecado em Era de Ultron, é que o filme evidencia a dependência da Marvel em sua fórmula. Mais sombrio que seu antecessor, a segunda aventura dos Heróis mais Poderosos da Terra traz um clímax igualmente similar ao primeiro filme (os heróis enfrentam inimigos sem rosto que surgem às centenas) e coloca muita gente em cena para dar a cada um tempo de respiro. O outro lado é que, quando este Vingadores funciona, é para aplaudir de pé. As relações entre personagens se mostram mais complexas (em especial Bruce Banner e a Viuva Negra), as cenas de ação são tecnicamente perfeitas e o Visão (Paul Bettany) é um achado. Precisamos de mais Joss Whedon nos cinemas!

9- CAPITÃO AMÉRICA: O PRIMEIRO VINGADOR
(Captain America: The First Avenger, Joe Johnston, 2011)

cap first avenger

Minha maior dúvida antes de ver Capitão América era Chris Evans. O personagem pertence a uma época mais inocente, e seria bem complexo lhe dar credibilidade com nossa sensibilidade cínica do novo século. A melhor notícia depois de ver o filme de Joe Johnston foi, portanto, ver que Evans não só fez um trabalho de primeira, como seu Steve Rogers, o soldado franzino que, no auge da Segunda Guerra Mundial, torna-se o combatente mais poderoso do planeta, convence sem uma ponta de ironia com seu bom mocismo, lealdade à pátria e total altruismo. Sem falar que O Primeiro Vingador é o produto mais charmoso do estúdio, um filme de guerra disfarçado de aventura de super-herói que confere relevância ao UCM e um padrão bem alto para todos os super-heróis que vieram depois.

8- HOMEM DE FERRO 3
(Iron Man 3, Shane Black, 2013)

iron man 3

Fãs de filmes de super-heróis são engraçados. Reclamam quando as aventuras parecem saídas de linha de montagem, e também reclamam quando um diretor mete a mão e torce a fórmula ao avesso. A melhor coisa da terceira aventura do Homem de Ferro é justamente não dar o que o público espera. A revelação da identidade do vilão Mandarim deixou muita gente ressabiada, mas é perfeita no jogo de fumaça e espelhos tecido por Shane Black. Uma das grandes sequencias de ação da Marvel também está aqui: o resgate de uma dúzia de pessoas literalmente derramadas de um avião. Um filmaço que funciona como trama isolada, ao mesmo tempo em que encaixa-se à perfeição na engrenagem do UCM.

7- HOMEM-FORMIGA
(Ant-Man, Peyton Reed, 2015)

Marvel's Ant-Man Ant-Man/Scott Lang (Paul Rudd)  Photo Credit: Film Frame © Marvel 2015

Quando um estúdio consegue transformar um personagem sequer do terceiro escalão em protagonista, alguma coisa está muito, mas muito certa. Homem-Formiga passou por um longo e doloroso processo de amadurecimento, perdeu seu diretor original (Edgar Wright) e apontava como o primeiro fracasso da Marvel. As aparências enganam. Peyton Reed, escolhido para conduzir a aventura, fez da história do ladrão Scott Lang (Paul Rudd, charme personificado) um heist movie, ou “filme de roubo”, que por acaso também é uma trama de super-heróis. Tudo em Homem-Formiga funciona, dos efeitos especiais espertos ao elenco, mais uma vez coroando a expertise do estúdio em escolher seus jogadores. Sem falar que, a essa altura, eu veria um filme-solo do personagem de Michael Peña sem nenhum problema.

6- DOUTOR ESTRANHO
(Doctor Strange, Scott Derrickson, 2016)

Marvel's DOCTOR STRANGE..Doctor Stephen Strange (Benedict Cumberbatch)..Photo Credit: Film Frame ..©2016 Marvel. All Rights Reserved.

Marvel’s DOCTOR STRANGE..Doctor Stephen Strange (Benedict Cumberbatch)..Photo Credit: Film Frame ..©2016 Marvel. All Rights Reserved.

A essa altura do campeonato, é de aplaudir em pé que a Marvel ainda consiga entregar filmes originais e inovadores. Mesmo sendo um “filme de origem” bastante fiel às “regras do gênero”, a transformação do cirurgião Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) no Mago Supremo de nossa realidade (o que ainda não acontece neste filme, mas a estrada foi pavimentada) encontra espaço para quebrar estas mesmas regras. Primeiro, com todo o papo  exotérico atrelado ao personagem. Segundo, por escolher uma resolução nada física para combater a ameaça da vez. Com humor bem dosado – imprescindível para humanizar os personagens -, efeitos visuais inovadores ao cubo e um elenco que parece se divertir tanto quanto o pessoal do lado de cá, Doutor Estranho é mais um triunfo.

5- HOMEM DE FERRO
(Iron Man, Jon Favreau, 2008)

iron man

O filme que deu o pontapé inicial ao UCM ainda é uma de suas aventuras mais espetaculares. Tudo (ou quase) repousa nos ombros de Robert Downey Jr. que, numa das decisões de casting mais felizes da história, transformou Tony Stark de jogador da reserva em titular absoluto no universo dos super-heróis. Sua jornada, de bilionário arrogante a sobrevivente a herói, é temperada com sequencias de ação aceleradas, um elenco em perfeita sintonia e um vilão que, além de carregar a marca da traição, surge com uma motivação forte e crível. A ponta de Sam Jackson pós-créditos (que se tonou uma tradição) foi a cereja no bolo de um universo em criação. Só não foi o melhor filme do ano em que foi lançado porque um certo Cavaleiro das Trevas aumentou as apostas. Ganhamos nós!

4- GUARDIÕES DA GALÁXIA
(Guardians of the Galaxy, James Gunn, 2014)

Marvel's Guardians Of The Galaxy..L to R: Drax the Destroyer (Dave Bautista), Gamora (Zoe Saldana), Groot (voiced by Vin Diesel) and Peter Quill/Star-Lord (Chris Pratt)..Ph: Film Frame..?Marvel 2014

Guardiões da Galáxia é diversão pura. É como Os Caça-Fantasmas ou De Volta Para o Futuro: uma experiência para rir junto, aplaudir junto, compartilhar com um cinema cheio. Apesar das ligações com o UCM, essa fábula espacial caminha com pernas próprias, sem que o público preciso de uma bula para entender. A trama: para salvar a galáxia de um artefato de poder quase infinito, um grupo de mercenários, formado quase que ao acaso, precisa se unir para impedir que um vilão interplanetário coloque as mãos na tal peça. No meio do caminho, uma trilha que passeia pelo pop dos anos 70 e 80, um elenco afiado feito navalha – liderado pelo anti herói Peter Quill (Chris Pratt), o Han Solo da nova geração – e um diretor que sabe exatamente o que fazer com os brinquedos à disposição.

3- OS VINGADORES
(The Avengers, Josh Whedon, 2012)

avengers

Ainda é difícil acreditar como o plano da Marvel deu tão certo no cinema. Há uma década, um filme como Os Vingadores seria inimaginável. O planejamento, o esforço, a união dos protagonistas de vários outros filmes sob um mesmo teto. Mas Joss Whedon fez o trabalho parecer fácil com sua trama de invasão alienígena em uma aventura que é puro escapismo. Ele não deu ponto sem nó, e Os Vingadores ainda é não só o ápice de um processo que deu certo – e que consolidou o UCM -, como também é a arquitetura perfeita quando o assunto é juntar vários heróis em um único filme. E ter o Loki de Tom Hiddleston como vilão só deu um tempero à mais para a coisa toda.

2- CAPITÃO AMÉRICA: O SOLDADO INVERNAL
(Captain America: The Winter Soldier, Joe e Anthony Russo, 2014)

cap winter soldier

Posso apontar um empate técnico? Os dois filmes dos irmãos Russo são o melhor que a máquina da Marvel pode oferecer, e se O Soldado Invernal não alcança a dianteira é por menos de um nariz. Um thriller político travestido de aventura de super-heróis, com direito a Robert Redford como xerife do mundo livre (spoiler: só que não…), o segundo filme do Capitão América tem suspense a rodo, ação ininterrupta e personagens por quem nos importamos, o que lhe confere mais peso dramático. Isso, sim, que é entretenimento bem azeitado, com os fogos de artifício emoldurando uma trama coesa, de consequências trágicas. Para tirar o chapéu!

1- CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL
(Captain America: Civil War, Joe e Anthony Russo, 2016)

cap civil war

Guerra Civil é o melhor filme que a Marvel já produziu, e é também o que mais se afasta da fórmula do estúdio. Afinal, não existe um vilão propriamente dito, e sim um personagem que serve como catalizador para aumentar as rachaduras na relação entre os protagonistas. É um filme sobre consequências, principalmente das ações dos Vingadores, que deixam um rastro de danos colaterais que nao pode ser ignorado. Tony Stark aceita operar sob supervisão da ONU; Steve Rogers, por outro lado, acredita que a equipe só consegue operar se não tiver amarras. Some isso a uma caçada humana (o alvo é Bucky, companheiro do Capitão na Segunda Guerra, transformado no terrorista Soldado Invernal) e o palco está montado para aliados se enfrentarem em um conflito que não terá vencedor. Guerra Civil é, acima de tudo, um filme de super-heróis, com direito a mascarar seu realismo com uma dose cavalar de humor e fantasia. O toque de mestre? Introduzir o Homem-Aranha no Universo Cinematográfico Marvel. Melhor é impossível!

Sobre o autor

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Sobre o blog

Cinema, entretenimento, cultura pop e bom humor dão o tom deste blog, que traz lançamentos, entrevistas e notícias sob um ponto de vista muito particular.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Roberto Sadovski
Topo