Blog do Sadovski

“Minha diversão é pegar personagens obscuros dos gibis e torná-los reais”, diz diretor de Guardiões da Galáxia Vol. 2; veja o novo trailer!

Roberto Sadovski

02/03/2017 04h40

Guardiões da Galáxia, lançado em 2014, não foi a aposta mais arriscada da Marvel (esta foi, sem sombra de dúvida, o primeiro Homem de Ferro). Mas a aventura espacial foi, com certeza, o filme mais fora do padrão de todo o Universo Expandido que o estúdio criou. O mérito é indiscutivelmente do diretor James Gunn. Uma cria do cinema independente podrão – ele trabalhou na famigerada produtora Troma –, Gunn trouxe para o mainstream da Marvel uma dose caprichada de demência e um senso de humor peculiar. A mistura deu certo, Guardiões foi um sucesso e ele ganhou mais liberdade ainda para tocar a continuação, Guardiões da Galáxia Vol. 2, que ganha agora seu último trailer antes de chegar aos cinemas em exatos dois meses. Dá uma espiada e seja feliz.

“Eu tenho muita sorte em não ter de interagir com o resto do Universo Marvel”, disse Gunn, quando a gente bateu um papo pouco depois de ele revelar algumas cenas de Guardiões da Galáxia Vol. 2 para uma plateia sedenta. “Sempre tive liberdade total, nunca me pediram para trocar uma vírgula, principalmente neste segundo filme!” Sua única concessão foi adicionar o Titã Louco, Thanos, à narrativa da aventura original. “É certo que alguns dos Guardiões vão encontrar outros personagens, mas eles terão de lidar com tudo que a gente criou antes”, ressalta o diretor, que serve como produtor executivo em Avengers: Infinity War justamente para que os responsáveis pela aventura que sai em 2018, Joe e Anthony Russo, tenham a quem recorrer caso surja qualquer dúvida sobre os heróis cósmicos, que também estão na aventura.

Guardians Of The Galaxy Vol. 2..Star-Lord/Peter Quill (Chris Pratt)..Ph: Film Frame..©Marvel Studios 2017

Peter Quill atira primeiro e pergunta depois… ou nem pergunta nada!

A ideia de James Gunn para o segundo Guardiões da Galáxia, por sinal, pegou os executivos da Marvel de surpresa. “Um dos problemas dos filmes baseados em heróis de quadrinhos é que existe um vício em somar novos personagens”, continua o diretor. “Era legal quando tudo começou, mas agora os filmes parecem muito confusos.” Em vez de aumentar o escopo, portanto, Guardiões da Galáxia Vol. 2 lida com problemas, honestamente, mais mundanos. “Peter (Quill, personagem de Chris Pratt) conhece seu pai, é uma história sobre pais e filhos e irmãs e família”, explica. “Queria ir adiante com o elenco que já temos, adicionando mais gente só para obedecer à história.” Foi assim que o filme ganhou a adição de Mantis (Pom Klementieff), uma empata que bagunça a já frágil estrutura da equipe, e do personagem mais bizarro do filme, finalmente revelado ao público neste último trailer: Ego, o pai de Quill, interpretado por Kurt Russell. A pegadinha? Nos quadrinhos, Ego é um planeta – um planeta vivo.

A escolha do astro de Fuga de Nova York foi o modo de Gunn trabalhar com um de seus heróis da infância. “Se você tem um ator tão carismático e divertido como Chris Pratt, é preciso um ator igualmente carismático e divertido para ser seu pai”, conta. “Para mim só podia ser Kurt Russell, que eu admiro desde moleque. Eu corria no quintal fingindo que era Snake Plissken… Eu queria que Ego fosse o pai bacana, mas em quem ninguém confia, é Kurt é isso.” Com o problema que ele é, claro, um planeta. “Ele é um planeta vivo, tem modos diferentes de se manifestar”, ressalta. “Kurt é uma dessas formas… Para mim é mais interessante do que um planeta com barba.” James se refere ao visual de Ego nos gibis, um mundo gigantesco com rosto humano, conceito absurdo que se encaixa perfeitamente no mundo que ele ajudou a criar. “Parte da diversão é pegar personagens obscuros, que eu adorava quando criança, e ver como eles se traduzem num filme”, continua. “É como eu fiz com Rocket. Ele é um guaxinim que fala, o que parece muito bobo. Mas daí é o desafio. Se ele é um guaxinim, e ele fala, o que faz dele real? Daí a gente lhe dá personalidade, uma certa tristeza, busca o que os faz mais humanos sem parecer ridículos. Ego foi exatamente isso: é o mesmo desafio que Rocket foi para o Vol 1.”

Kurt Russell no papel de Ego, o planeta vivo… e você leu direito!

Habitar um canto mais obscuro da Marvel nos quadrinhos ajudou James Gunn a ter mais lastro na hora de lidar com personagens tão extravagantes quanto um guaxinim falante ou um planeta vivo. “Os Guardiões não são o Homem-Aranha, não vem com um pacote de noções pré-concebidas, e foi justamente por isso que eu quis fazer estes filmes”, revela. “Essa liberdade tem dois motivos. Primeiro, não tem muitos fãs dos Guardiões – ou não tinham, já que a nova série deles nos quadrinhos é um sucesso! Segundo, quando pensamos em Os Vingadores, estamos falando de centenas e centenas de histórias em quadrinhos que são cânone, e as pessoas esperam ver até os pequenos detalhes. Com Guardiões, especialmente essa versão, que eu peguei da série Aniquilação, de 2008, só temos uns quarenta gibis para espiar.” O que não diminui o grito dos fãs mais, digamos, intensos: “Uma das coisas que os fãs ficaram mais furiosos com o primeiro filme foi que a barbatana na cabeça de Yondu não era grande o bastante como nos gibis. Corrigimos isso no novo filme”.

A narrativa, claro, precisa acompanhar até uma pequeno ajuste de curso como esse. “É exatamente por isso que eu evitei colocar mais personagens”, empolga-se. “Para mim, cada um precisa ter seu arco com começo, meio e fim – do contrário, nem precisa estar no filme.” Assim, de Peter Quill a Gamora, passando por Kraglin, Yondu e Nebula, Ego, Ayesha e Taserface, cada um tem sua história. “Quando escrevi a primeira versão de Guardiões 2, eu tinha um personagem novo prontinho, além de Mantis, para entrar na equipe”, lembra. “Mas tinha gente demais, tive de abrir mão. Então eu não tenho espaço para o Surfista Prateado, eu não tenho espaço para vários outros! Talvez, sei lá, em 10 ou 15 anos.” Uma década, que também é o tempo que James Gunn calcula para os fãs finalmente encontrarem um easter egg mega secreto escondido no primeiro filme, que permanece oculto três anos depois. “Não é zoeira, e é mesmo algo grande, eu fico surpreso que até agora ninguém tenha achado!”, diverte-se. “Um cara me encheu o saco no Facebook, dizendo que era mentira minha, e eu disse que daria 100 mil dólares a ele se o easter egg não estivesse lá.” Ele cruza os braços e solta um sorriso de satisfação: “Não tenho de me preocupar em abrir a carteira. Está lá, é grande, e em uns dez anos alguém vai sacar o que é”.

Sobre o autor

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Sobre o blog

Cinema, entretenimento, cultura pop e bom humor dão o tom deste blog, que traz lançamentos, entrevistas e notícias sob um ponto de vista muito particular.

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