Blog do Sadovski

Cinco filmes para entrar no mundo de M. Night Shyamalan (e mais cinco que ele recomenda para você!)

Roberto Sadovski

29/03/2017 18h29

M. Night Shyamalan criou o filme de terror de maior bilheteria da história em 1999 com O Sexto Sentido. Foi comparado pela Newsweek a Steven Spielberg como um contador de histórias infalível. Ao lado do próprio Spielberg, de Tarantino e de poucos outros, tem em seu nome o maior chamariz para seus filmes. Ainda assim, perdeu parte do “toque de Midas” em meados dos anos 2000 e quebrou sua sequência de sucessos de público e crítica – recuperada com louvor com o thriller Fragmentado.

Com o filme em cartaz há uma semana no Brasil, aproveitei pra fazer este guia com os cinco filmes básicos do diretor e por que eles são tão acima da média. Como bônus, deixo o próprio Shyamalan indicar outros cinco filmes, parte de sua formação como cineasta e como fã de cinema. Vamos a eles?

5. FRAGMENTADO
(Split, 2017)

Shyamalan voltou à sua forma (depois de O Último Mestre do Ar, Fim dos Tempos e Depois da Terra) com o discreto A Visita, sobre avós, netinhos, pânico e terror. Mas Fragmentado o arremessou de volta ao topo – não só pela qualidade absoluta do filme, mas também pela bilheteria estrondosa, faturando mais de 250 milhões de dólares com um orçamento de 9 milhões. Falei sobre Fragmentado aqui, e você ainda pode assistir nos cinemas. E fique até o final, é de cair o queixo…

4. A VILA
(The Village, 2004)

O diretor lançou a carreira de Bryce Dallas Howard neste filme sobre o medo, e como ele se manifesta das maneiras mais diferentes. Bryce é Ivy Walker, uma jovem cega que habita um vilarejo isolado no meo de uma floresta. Os mais velhos dizem que o bosque é proibido, habitado por monstros, mas uma tragédia inesperada obriga seus habitantes a tomarem uma decisão que pode mudar suas vidas – e o modo como assistimos ao filme até então. Shyamalan domina a tensão ao extremo e entrega um final de arrepiar. E que, na época, desagradou muitos fãs que se sentiram “tapeados”. Ou seja: funcionou.

3. SINAIS
(Signs, 2002)

O segundo maior sucesso de sua carreira é também um filme de expectativas inusitadas. Sinais é um filme sobre uma invasão alienígena, mas o escopo é mínimo e a narrativa não trata de batalhas espaciais, e sim de fé. No caso, a fé perdida de um pastor (Mel Gibson), devastado ao perder a esposa num acidente bizarro. Tocando a vida em sua fazendo ao lado do irmão (Joaquin Phoenix) e filhos, ele pode reencontrar o foco e a força de sua crença quando o planeta para de fazer sentido. Claro que alguns pontos da trama são absurdos (aliens viajam poor galáxias mas não sabem abrir uma porta?), mas Gibson capricha no charme e embarca nas ideias de Shyamalan – levando a gente junto.

2. O SEXTO SENTIDO
(The Sixth Sense, 1999)

“Eu vejo gente morta” se tornou parte da cultura pop depois deste filmaço, terceiro da carreira de Shyamalan, que surpreendeu o mundo em 1999 – nas bilheterias, só ficou atrás de Star Wars: A Ameaça Fantasma naquele ano. Bruce Willis é o terapeuta infantil que abraça o caso de um garoto introspectivo (Haley Joel Osment) com um dom sobrenatural. A trama avança e a verdade está ali, como um outdoor, mas só percebemos nos minutos finais. A reviravolta pegou o planeta de surpresa e revelou o extraordinário dom narrativo do diretor, um feito que ele ainda não igualou. Só não é meu filme favorito dele por que…

1. CORPO FECHADO
(Unbreakable, 2000)

… este Corpo Fechado veio do nada e acertou um cruzado em toda e qualquer expectativa. Denso e sofisticado, o filme traz Bruce Willis (de novo) como um segurança que descobre ser superforte e invulnerável – ou quase, como descobrimos ao longo da trama. Ele é encontrado por Elijah Price (Samuel L. Jackson), dono de uma loja de quadrinhos que sofre de uma doença degenerativa (seus ossos são frágeis como vidro) e está convencido que Willis é um… super-herói! Muito antes de seres superpoderosos serem regra no cinemão, e muito antes de Christopher Nolan ancorar sua trilogia O Cavaleiro das Trevas no “realismo”, Shyamalan criou uma fantasia travestida de thriller e mostrou que, no mundo real, as “regras” para lidar com seres superpoderosos estavam longe de ser traçadas. Algo me diz que essa história não terminou aí…

Pra completar sua maratona, os cinco filmes indicados por Shyamalan – que explicam, de certa forma, o rumo que ele imprimiu à sua carreira.

REBECCA, A MULHER INESQUECÍVEL
(Rebecca, Alfred Hitchcock, 1940)

Clássico de Alfred Hitchcock, que marcou sua primeira produção em Hollywood, Rebecca é, ao mesmo tempo, um suspense e uma história de amor. Joan Fontaine é uma dama de companhia que se apaixona por um aristocrata viúvo, Maxim de Winter (Laurence Olivier). O casamento é rápido e ela se muda para sua mansão, mas logo se vê tomada pela envolvente presença de Rebecca que, apesar de morta, parece ainda dominar a mente e o coração de todos que a conheceram. Com sua trama recheada de viradas e surpresas, fica claro por que Shyamalan apontou o filme como seu favorito.

O SILÊNCIO DOS INOCENTES
(The Silence of the Lambs, Jonathan Demme, 1991)

Diretor de comédias sofisticadas, foi uma surpresa quando Demme escolheu levar ao cinema o livro de Thomas Harris, que acompanha a caçada empreendida pelo FBI por um assassino em série – mas concentrando-se no relacionamento de uma jovem agente, Clarice Starling (Jodie Foster) com um serial killer que encontra-se preso, o “canibal” Hannibal Lecter (Anthony Hopkins). Lecter concorda em ajudar Clarise a encontrar o matador à solta, contanto que ela lhe revele fragmentos de sua própria vida. O filme tem de tudo: é acelerado, tenso, recheado de subtexto e simbologia, uma obra que o tempo tratou de elevar ainda mais.

CIDADE DOS SONHOS
(Mulholland Dr., David Lynch, 2001)

Nada funciona de maneira linear na mente de David Lynch. Projetado inicialmente como uma série de TV (aos moldes de sua excepcional Twin Peaks), Cidade dos Sonhos foi reorganizado como um longa – e uma viagem lisérgica excepcional pelas armadilhas da fama em Hollywood, talvez o único lugar do planeta em que sonhos e realidade se confundem em uma linha sempre tênue. Naomi Watts é nosso guia, uma aspirante a atriz que tem seu caminho cruzado por Laura Harring, uma mulher sem memória que pode (ou não) ter cometido assassinato. Este “ou não” é regra em Cidade dos Sonhos, um dos trabalhos mais densos e complexos do diretor. O que, se tratando de David Lynch, não é pouco.

LOLITA
(Stanley Kubrick, 1962)

O próprio Vladimir Nabokov escreveu o roteiro, baseado em seu próprio livro, para que Kubrick contasse a história da atração de um professor de meia idade, Humbert Humbert (James Mason), com Lolita (Sue Lyon),  filha adolescente da dona da pensão onde ele vai morar. A atração se torna obsessão, e Humbert reescreve sua vida para ficar próximo a Lolita, não importa o preço, não importa a tragédia que certamente o abaterá. Kubrick em nenhum momento julga seu protagonista, carregando suas decisões com tristeza e culpa, o que em nenhum momento disfarça o teor sexual de seu desejo. Um filme tenso, provocativo e, para a época, extremamente perigoso.

ATRAÇÃO FATAL
(Fatal Attraction, Adrian Lyne, 1987)

“Quando eu era adolescente, Atração Fatal era O filme”, lembrou Shyamalan. É verdade. O thriller sobre infidelidade, protagonizado por Michael Douglas e Glenn Close, tornou-se um fenômeno (e um sucesso nas bilheterias) na época. Dan, advogado bem casado, passa um fim de semana de paixão extra-conjugal com Alex, uma colega de trabalho. O que seria um caso passageiro torna-se, para Alex, uma paixão obsessiva, já que ela não consegue deixar Dan de lado e passa a perseguí-lo – e também sua família. A paixão se torna obsessão, que passa para loucura, violência e tragédia, em um final não menos que surpreendente. O que, claro, explica a escolha (e a carreira) de Shyamalan.

Sobre o autor

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Sobre o blog

Cinema, entretenimento, cultura pop e bom humor dão o tom deste blog, que traz lançamentos, entrevistas e notícias sob um ponto de vista muito particular.

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