Blog do Sadovski

De Mulher-Maravilha a Star Wars: Os Últimos Jedi, o cinemão se rende às protagonistas femininas - o que é ótimo!

Roberto Sadovski

04/04/2017 07h15

A Vigilante do Amanhã derrapou em sua estreia nos cinemas. Encostou em 19 milhões de dólares nas bilheterias ianques – o que, com um custo de 100 milhões, e com Velozes e Furiosos 8 já virando a esquina, não é exatamente um bom começo. Ainda assim, a versão hollywoodiana do mangá Ghost in the Shell é, de certa forma, um sucesso. Com Scarlett Johansson à frente, a aventura de ficção científica é mais um candidato a blockbuster encabeçado por uma atriz e mais uma etapa na construção de um cinema cada vez mais plural. É, também, evidência de que a indústria de entretenimento está deixando certos vícios e regras tolas no passado.

É fato que a presença feminina no cinemão ainda seja uma fração se comparada à de atores. Uma análise dos 100 filmes de maior bilheteria dos últimos três anos feita com a tecnologia machine learning, que usa algoritmos de reconhecimento facial e de voz para identificar se um personagem é homem ou mulher, concluiu que personagens femininas possuem apenas 36 por cento de tempo em cena. Muitas vezes, mesmo quando uma mulher fala, é o homem que aparece em cena. Quantidade, obviamente, não é sinônimo de qualidade, mas os números mostram que ainda há um longo caminho a ser trilhado para uma representação igualitária.

Estrelas Além do Tempo teve a maior bilheteria entre os indicados ao último Oscar

O lado bacana da equação é que o número de filmes liderados por mulheres aumentou consideravelmente nos últimos anos – em 2016 mulheres foram protagonistas de 29 por cento das 100 produções de maior bilheteria; sete pontos percentuais acima do ano anterior. E mais: filmes com uma protagonista feminina tiveram uma média de 89 milhões de dólares em renda nas bilheterias, mais fôlego do que os 75 milhões de média das produções com homens à frente. Foi o ano de A Chegada e de Rogue One: Uma História Star Wars. Foi o ano em que o filme que mais rendeu entre os indicados ao Oscar nos Estados Unidos foi Estrelas Além do Tempo, que embolsou 168 milhões de dólares em casa (no mundo, La La Land ainda ficou à frente).

Se A Vigilante do Amanhã acertou como um candidato a blockbuster com uma mulher à frente, mesmo com o começo de carreira capenga nas bilheterias, 2017 já colocou na liderança, e a caminho do clube do bilhão, uma fábula conduzida por uma protagonista. A Bela e a Fera, Emma Watson em maior destaque, já rendeu 880 milhões de dólares, com nenhum sinal que vá perder seu fôlego. E o ano não parece que vá recuar no quesito representatividade nos cinemas, com um punhado de produções – de dramas a ficção científica, de comédias a filmes de ação – protagonizado (ou escrito, ou dirigido) por mulheres.

As mulheres de O Estranhos que Nós Amamos, de Sofia Coppola

A refilmagem de O Estranho Que Nós Amamos, drama de 1973 com Clint Eastwood, ganha nova versão por Sofia Coppola, que coloca Colin Farrell como um soldado ferido durante a Guerra Civil americana que recebe abrigo e cuidados em uma escola para garotas – que calha de estar do outro lado do conflito. Tensão sexual é o tom do filme, que traz Nicole Kidman, Kirsten Dunst e Elle Fanning. Battle of the Sexes é outro drama que deve chegar aos cinemas como uma bomba, narrando a história (real) da partida entre os tenistas Billie Jean King (Emma Sone) e Bobby Riggs (Steve Carell), um amistoso que, em setembro de 1973, colocou o Movimento Feminista (defendido por Billie Jean) na cultura pop numa partida acompanhada, ao vivo pela TV, por 90 milhões de pessoas em todo o mundo. Um doce se você adivinhar o vencedor…

Atômica traz Charlize Theron como uma espiã em Berlin no auge da Guerra Fria, arrebentando cabeças, trabalhando com James McAvoy e protagonizando cenas tórridas com Sofia Boutella, no que promete ser um dos grandes filmes de ação do ano – vale lembrar que a mesma Sofia Boutella surge como personagem-título em A Múmia, transformando a vida de Tom Cruise num verdadeiro inferno. O ano ainda tem Mulher-Maravilha (Gal Gadot), tentando virar o jogo e salvar o universo DC no cinema. Tem Thor Ragnarock, em que o Deus do Trovão enfrenta Hela (Cate Blanchett), a personificação da Morte. E tem Star Wars: Os Últimos Jedi, que continua a saga espacial centrada na protagonista Rey (Daisy Ridley). Até os blockbusters banhados em testorterona tem presença feminina forte, como o próprio Velozes e Furiosos 8 (Charlize Theron é a vilã), Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar (a chave da trama está nas mãos de Kaya Scodelario) e Alien Covenant, com Katherine Waterston à frente de um elenco que tem Michael Fassbender, Billy Crudup e Danny McBride. Ah, e ano que vem tem um novo Tomb Raider, agora com Alicia Vikander. Mais pra frente, vem Sereias de Gotham. E Capitã Marvel. E Batgirl.

Felicity Jones à frente de Rogue One, maior filme do ano passado

Claro que o mundo é habitado por trolls que abrem o berreiro sempre que um filme que quebra recordes e barreiras não tem o astro de sempre à frente da brincadeira – lembro de alguns chorões revoltados com Felicity Jones liderando Rogue One com um argumento tosco do tipo “nossos meninos logo vão ficar sem heróis” ou alguma besteira do tipo. Essa minoria ruidosa, que ainda não percebeu que o mundo real não é aquele que existe na ponta de seus dedos atrás do teclado do computador, logo será uma lembrança incômoda. Se os números apontam que o caminho ainda é árduo, as filas e a demanda nos cinemas enterra definitivamente esse abismo entre homens e mulheres nas elas. No fim, uma única coisa importa: se os filmes são bons, não importa quem o execute ou interprete – sim, tem muita caca com mulheres à frente, tipo 50 Tons de Alguma Coisa. Mas um cinema plural e equilibrado dá, sim, gosto de ver.

Sobre o autor

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Sobre o blog

Cinema, entretenimento, cultura pop e bom humor dão o tom deste blog, que traz lançamentos, entrevistas e notícias sob um ponto de vista muito particular.

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