Blog do Sadovski

Os 30 melhores filmes de super-heróis de todos os tempos

Roberto Sadovski

17/04/2017 17h27

SUPER-HERÓI
su·per-he·rói
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1 Personagem de ficção dotado de poderes sobre-humanos, criado em revistas em quadrinhos e modernamente pelo cinema, geralmente para combater o bem contra o mal, ajudar os desprotegidos e livrar a sociedade de indivíduos ou situações perigosos.

Essa definição eu peguei do dicionário, já completando: “Super-herói” não é gênero cinematográfico – mas pode abraçar a todos! “Filmes baseados em quadrinhos não possuem identidade”, explica o diretor James Mangold. “Existe filmes como Os Vingadores, como Deadpool, sóbrios como O Cavaleiro das Trevas… Cabe ao diretor definir o gênero e o tom.” Entre muitos gêneros, portanto, filmes com super-heróis dominam os cinemas há alguns anos, mas estão na praça desde que seres poderosos decidiram combater criminosos nas páginas coloridas. E super-heróis, vale ressaltar, não chegam ao cinema exclusivamente por via de um gibi: podem ser criações originais, podem beber de diversas fontes. Em um ano em que provavelmente veremos Thor e Hulk limpar o chão com a Liga da Justiça – ou seja, quando tudo pode acontecer! -, achei por bem listar 30 dos mais espetaculares filmes com seres superpoderosos em sua luta contra o mal que o cinema já criou. Até 2017 virar uma lembrança, a lista pode mudar. Até lá, comente, discorde, sugira, brigue… seja super! A eles!

30. O MÁSKARA
(The Mask, Chuck Russell, 1994)

Jim Carrey encontra a máscara de Loki (não esse Loki que você pensou, mas o Loki da mitologia) e transforma-se num sujeito de poder limitado somente por sua imaginação. Criado em 1989 por Mike Richardson, ele ganhou uma personalidade anárquica e absolutamente destrutiva que experimentou uma injeção violenta de humor non sense com a caracterização de Carrey. O filme foi um sucesso, deu um salto na tecnologia digital no cinema, fez do humorista um astro e mostrou que é possível um super-herói habitar uma comédia.

29. BLADE II
(Guillermo Del Toro, 2002)

O primeiro Blade, que Stephen Norrington dirigiu em 1998, é um marco dos super-heróis no cinema. Mas sua continuação foi maior, melhor, mais sexy e aterrorizante. O culpado é Guillermo Del Toro, que levou sua paixão por criaturas monstruosas ao mundo do caçador de vampiros da Marvel e povoou seu filme com sanguessugas assustadores, com o sangue e os sustos emoldurados em cenas de ação eletrizantes – mesmo com um duelo em CGI que hoje parece absolutamente falso.

28. O CORVO
(The Crow, Alex Proyas, 1994)

Um dos filmes mais trágicos da história é também uma adaptação fiel e poderosa do super-herói gótico criado por James O’Barr. Brandon Lee é Eric Draven, roqueiro apaixonado que é assassinado enquanto sua namorada é espancada e violentada em sua frente. A força da vingança o traz de volta à vida, uma existência carregada de dor e sofrimento. Alex Proyas criou um filme elegante e envolvente, que se tornou ainda maior quando Lee, em um acidente bizarro no set, foi baleado e morto, interrompendo uma carreira ascendente. O Corvo é seu legado.

27. PODER SEM LIMITES
(Chronicle, Josh Trank, 2012)

Provavelmente o único filme fantástico da carreira de Josh Trank, sepultada com um tweet no dia em que o desastroso Quarteto Fantástico com sua assinatura foi lançado. Mas esqueça o supergrupo da Marvel. Em Poder Sem Limites ele retrata de maneira sem igual o que acontece quando três jovens ganham superpoderes – o que culmina em uma batalha nos céus de desfecho violento e fulminante. Trank usou o “truque” das “filmagens reais”, quando ainda soava como novidade, e fez a melhor versão de Akira que Hollywood vai cometer.

26. WATCHMEN
(Zack Snyder, 2009)

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Antes de todo o Universo Estendido DC, Zack Snyder se atreveu a adaptar o “santo graal” dos quadrinhos de super-heróis: Wachmen, de Alan Moore e Dave Gibbons. Traduzindo a trama quase literalmente, com as alterações necessárias para uma série em doze partes se tornar um filme de cerca de três horas, o diretor criou uma obra que envelheceu surpreendentemente bem – um filme de época que mostra o pavor do homem comum ao enfrentar o único vilão que ele não pode derrotar: ele mesmo. O resto não passa de um reflexo.

25. DARKMAN – VINGANÇA SEM ROSTO
(Darkman, Sam Raimi, 1990)

Quando o mundo de super-heróis no cinema só tinha basicamente o Batman de Tim Burton, Sam Raimi misturou suas referências de fã de gibis e de filmes de terror e o resultado é um herói trágico, nascido em laboratório quando homens maus tentam dar cabo de sua vida. O que conseguem é lhe deixar com o corpo queimado e desfigurado, coberto por uma pele artificial que dura uma hora exposta ao Sol e força descomunal deflagrada por picos de adrenalina. Ele rouba a identidade de quem lhe “matou” e executa sua vingança. Darkman, Liam Neeson à frente, foi uma surpresa e um alento antes de o cinema ser, de fato, tomado por universos de heróis de papel.

24. KICK-ASS
(Matthew Vaughn, 2010)

Matthew Vaughn pegou a HQ de Mark Millar como base para esse filmaço que desconstrói a figura do “super-herói” ao apresentar um moleque que veste um uniforme colorido e acha que isso basta para combater o mal. Não basta, o que ele descobre com uma faca na barriga e um espancamento básico. Mas, como Kick-Ass, inspira a cidade a se levantar contra um gângster barra-pesada. Nicolas Cage fez aqui seu último filme legal de verdade, e Vaughn ainda achou espaço para apresentar Chloë Grace Moretz ao mundo: como Hit-Girl, e matando geral como gente grande, ela é a verdadeira estrela do filme!

23. HELLBOY II – O EXÉRCITO DOURADO
(Hellboy II – The Golden Army, Guillermo Del Toro, 2008)

O primeiro Hellboy, de 2004, foi uma introdução decente ao mundo criado nos gibis por Mike Mignola. Mas quando Guillermo Del Toro retornou ao personagem (por estúdios diferentes), o jogo era outro. O Exército Dourado foi o playground perfeito para o diretor escancarar sua paixão por monstros, colocando o demônio bacana interpretado por Ron Perlman contra um exército surgido de contos de fadas, encarando sua própria mortalidade e um futuro que, infelizmente, não veremos no cinema.

22. BATMAN: A MÁSCARA DO FANTASMA
(Batman: Mask of the Phantasm, Erik Radomski e Bruce Timm, 1993)

Tim Burton já havia feito dois Batman (estão mais na frente por aqui) quando os realizadores da série animada do Homem-Morcego criaram este longa de tintas trágicas. A Máscara do Fantasma coloca o Batman enfrentando seu passado em uma trama sóbria e madura, revelando o preço que Bruce Wayne paga sempre que coloca o capuz para enfrentar o Mal. Pena que a animação, basicamente a mesma usada na TV, surja tão pobre quando levada ao cinema. Com uma produção mais caprichada, este poderia ser o grande filme do herói desde sempre.

21. DREDD – O JUIZ DO APOCALIPSE
(Dredd, Pete Travis, 2012)

Judge Dredd (Karl Urban) and Anderson (Olivia Thirlby) in DREDD 3D.

A primeira vez que o ani-herói britânico criado por John Wagner e Carlos Ezquera chegou aos cinemas foi num desastre protagonizado por Sylvester Stallone em 1995. Quase duas décadas depois, fizeram-lhe justiça (sem trocadilhos) com este filmaço de orçamento enxuto, roteiro de Alex Garland (Extermínio, Ex Machina) e Karl Urban honrando o queixo do Juiz Dredd, parte dos bastiões da Lei em Mega City Um, que encontra-se preso em um edifício controlado por uma traficante. Violento, politicamente incorreto e implorando por uma continuação (que não deve acontecer), Dredd é um diamante bruto. Não poderia ser de outro modo.

20. BATMAN
(Tim Burton, 1989)

O primeiro fenômeno cinematográfico baseado num super-herói dos quadrinhos, Batman dominou o mundo em 1989. O que não é exagero. O filme de Tim Burton tinha a missão de fazer um personagem de gibis ser levado a sério no cinema e conseguiu com louvor. Não só apagou as lembranças do Homem-Morcego galhofeiro dos anos 60, como mostrou que era cinema com pedigree ao escalar Jack Nicholson como o Coringa. O filme criou sua própria versão da origem clássica do herói, emprestou elementos de suas diversas encarnações até então e foi o protótipo de como vender um filme-evento como produto. A trama? Batman enfrenta o Coringa. Até agora não sei dizer ao certo quem venceu…

19. SUPERMAN II – A AVENTURA CONTINUA
(Superman II, Richard Lester, 1980)

A memória afetiva da segunda aventura de Christopher Reeve como o Homem de Aço é melhor que o filme em si. O que não quer dizer que Superman II, dirigido por Richard Lester (que assumiu a produção e completou o trabalho de Richard Donner, demitido pelos produtores), não seja exatamente o que um filme com o herói precisa ser. Resumindo: os realizadores, não importa a celeuma nos bastidores, entendiam quem é o Último Filho de Krypton, o que o fazia ser “super” (uma dica: não são seus superpoderes). Como obra respeitando a mitologia do herói nos quadrinhos, é um desastre; como aventura escapista, não há nada melhor!

18. HOMEM-ARANHA
(Spider-Man, Sam Raimi, 2002)

Se Batman foi o fenômeno midiático do fim dos anos 80, Homem-Aranha é seu verdadeiro sucessor no novo século. Chegando aos cinemas pelas mãos de Sam Raimi depois de uma década de batalhas nos tribunais para determinar quem tinha os direitos cinematográficos do herói, o filme é fruto de um comitê de produtores e roteiristas, criado para agradar o público mais heterogêneo possível. Conseguiu, tirando as atenções de Star Wars: Ataque dos Clones e iniciando a supremacia da Marvel no cinema. A trama conta a origem do herói, mostrando o adolescente Peter Parker (Tobey Maguire) picado por uma aranha modificada geneticamente e ganhando super poderes. O vilão da vez é o Duende Verde, com Willem Dafoe devorando o cenário. Um filmaço!

17. ROCKETEER
(The Rocketeer, Joe Johnston, 1991)

Dave Stevens nasceu na época errada. Embora tenha criado seu Rocketeer nos anos 80, o artista tinha a mente habitando um mundo de ao menos cinco décadas antes. Pin ups embalavam a imaginação dos homens. A ameaça nazista mostrava suas garras. Nos cinemas, seriados de aventura estimulavam a molecada. O Rocketeer, ou melhor, o piloto Cliff Secord (Bill Campbell), é herança dessa era: um sujeito fanfarrão, bom com os punhos e apaixonado por sua “pequena”, que coloca as mãos num foguete compacto que o permite voar. Se o primeiro pensamento é ficar rico com a descoberta, logo o senso de justiça se coloca acima dos interesses pessoais. O filme, claro, é uma delícia! Bons tempos.

16. CORPO FECHADO
(Unbreakable, M. Night Shyamalan, 2000)

Muito antes de Christopher Nolan criar filmes de super-heróis “realistas”, o responsável por Corpo Fechado mostrou como seria o surgimento de alguém com habilidades sobre humanas em nosso mundo. Sem pompa, sem uniformes coloridos, sem batalhas destruindo uma cidade. Apenas um sujeito comum, assustado ao descobrir o que é capaz de fazer, testando seus limites ao enfrentar algo que ele sequer sabia que possuía: um arqui-inimigo. É um filme elegante, à frente de seu tempo, alinhado com um público que só surgiria de fato quase uma década depois. Não tem problema: David Dunn em breve estará de volta.

15. HOMEM DE FERRO
(Iron Man, Jon Favreau, 2008)

A aposta mais arriscada da Marvel no cinema também se tornou um de seus maiores triunfos. Ao assumir as rédeas de seu futuro, o estúdio investiu todas as fichas em um de seus personagens de segunda linha, colocou o leme nas mãos de um diretor sem experiência com um filme dessa escala e colocou o protagonista nos ombros de um ator que emergia de seu próprio inferno pessoal. Não podia ter encontrado fórmula mais brilhante, e Homem de Ferro tornou-se, para espanto geral, o pilar de um universo cinematográfico único e arrebatador. Sem contar, claro, que é uma aventura espetacular…. opa, isso é adjetivo de um outro herói. “Invencível”, então.

14. X-MEN 2
(X2 – X-Men United, Bryan Singer, 2003)

Depois de provar com X-Men que os super-heróis dos quadrinhos mereciam mais uma chance no cinema (navegando por entre os escombros de Batman & Robin), Bryan Singer ganhou carta branca em sua segunda incursão no mundo dos mutantes da Marvel. O resultado é uma alegoria ainda mais explícita sobre minorias, conduzida por um Hugh Jackman já provado como astro e um diretor que nunca esteve tão seguro de sua visão. Tudo em X2 é superlativo, dos personagens que ajudam a contar a história (e não existem só para preencher o cenário) às dúzias de easter eggs que fizeram a alegria dos fãs. A gente era feliz e não sabia.

13. GUARDIÕES DA GALÁXIA
(Guardians of the Galaxy, James Gunn, 2014)

Marvel's Guardians Of The Galaxy..L to R: Drax the Destroyer (Dave Bautista), Gamora (Zoe Saldana), Groot (voiced by Vin Diesel) and Peter Quill/Star-Lord (Chris Pratt)..Ph: Film Frame..?Marvel 2014

Star Wars da Marvel”. Foi assim que o produtor Kevin Feige definiu Guardiões da Galáxia pra mim em 2005 num papo sobre o futuro que ele enxergava para o estúdio. No fim, o filme de James Gunn foi muito mais: uma combinação de humor e aventura que há muito o cinema não entregava, tudo embalado por uma trilha matadora e um “pacote” que revelou o ótimo Dave Bautista, transformou Chris Pratt em astro e fez de um guaxinim biônico e uma árvore (quase) falante ícones pop modernos. Acima de tudo, Guardiões da Galáxia é um filme divertido, talvez o mais divertido a sair da linha de montagem da Marvel. pelo menos até o Vol. 2….

12. DEADPOOL
(Tim Miller, 2016)

Quem diria que Ryan Reynolds seria responsável por desconstruir o “filme de super-heróis” depois de colocar a cabeça pela porta não uma, não duas, mas três vezes? Hmmm, na verdade, depois de Blade Trinity, X-Men Origens: Wolverine e Lanterna Verde, talvez o (agora) astro tenha sido a pessoa certa no filme certo. E nada pode ser mais certo que Deadpool, uma aventura com a zoeira no máximo, um filme tão consciente em ser um filme que não havia escolha a não ser acertar mil vezes. Melhor a cada nova sessão, não existe ponto sem nó no mundo criado por Reynolds e cia (o diretor Tim Miller e os roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick). Se nos quadrinhos Deadpool é, muitas vezes, uma piada medíocre, no cinema ele encontrou sua melhor versão: com uma porção de chimichangas!

11. BATMAN – O RETORNO
(Batman Returns, Tim Burton, 1992)

Sexo é poder. E, não se engane, Batman – O Retorno é sobre sexo E poder. Cada fotograma do segundo filme do Homem-Morcego comandado por Tim Burton exala sensualidade e segundas intenções, sexualidade reprimida e libido explodindo em violência e sede de poder. Claro, na superfície é uma história do Batman (Michael Keaton, o melhor Batman!) enfrentando a Mulher-Gato (Michelle Pfeiffer) e o Pinguim (Danny DeVito). Mas Burton faz o filme transbordar com subtexto e entrelinhas, a ponto de a gente esquecer que, em teoria, seria um produto voltado à pivetada. Não é: estranho, perturbador e, por vezes, carregado com uma simbologia assustadora, Batman – O Retorno é um enigma. Mais saboroso a cada revisão. Ah, e tem aquele beijo….

10. OS INCRÍVEIS
(The Incredibles, Brad Bird, 2004)

O melhor filme do Quarteto Fantástico encontra a melhor aventura de James Bond. Brad Bird não quis reinventar a roda com seu Os Incríveis… mas com certeza ele pegou as rodas mais sensacionais para criar um filme de super-heróis original, emocionante, eletrizante e (coloque aqui seu adjetivo bacana preferido). Difícil acreditar que já passaram mais de dez anos desde que Bob Parr, o Sr. Incrível, saiu da aposentadoria forçada para enfrentar, ao lado de sua família, um vilão nascido de seu próprio passado. Bird não deixa de vasculhar nenhum clichê e os arruma em uma animação nunca menos que brilhante. E como Samuel L. Jackson arruma tempo para dormir? O homem não para!

9. HOMEM-ARANHA 2
(Spider-Man 2, Sam Raimi, 2004)

PHOTO: EAST NEWS/EVERETT COLLECTION<br /> SPIDER-MAN 2, Tobey Maguire, 2004

O bom cinema é movido a paixão. Com carta branca depois do sucesso de Homem-Aranha, Sam Raimi foi fundo em sua paixão. Buscou inspiração na história do herói que mais o emocionara quando garoto. Escolheu um vilão trágico perfeito para contar essa história. E nunca esqueceu da principal característica do Cabeça de Teia: se chovesse rosas no mundo, certeza que sobre ele cairia esterco. Mais ainda, Raimi deixa claro que o protagonista não são os efeitos especiais ou as cenas bombásticas: é Peter Parker, o moleque que ainda se esforça para viver à sombra de grandes poderes que trazem grandes responsabilidades. É um “pacote” irresistível, traduzido por Raimi em um filme emocionante e poderoso – o que é, diga-me, aquela luta do Aranha com o Dr. Octopus no topo de um trem?? Boa sorte, Jon Watts. Boa sorte, Tom Holland. Vocês vão precisar.

8. OS VINGADORES
(The Avengers, Joss Whedon, 2012)

Eu estava na plateia da Comic Con em San Diego quando todo o elenco de Os Vingadores foi apresentado pela primeira vez, seguido da confirmação de Joss Whedon na direção da aventura. “Eu tive um sonho”, disse Whedon para cerca de 7 mil devotos. “E isso aqui é muito melhor!” Dois anos depois, o resultado foi um milagre. Personagens e linhas temporais de cinco filmes convergiram em uma única aventura que combinava maestria técnica com ação ininterrupta e emoção genuína. Os Vingadores é o resultado de uma ideia maluca, realizada por um estúdio que se atreveu a não impor limites em sua ambição. Seu sucesso arrebatador fez com que a fórmula da Marvel fosse copiada por todo esúdio em Hollywood (nenhum ainda acertou na idéia do “universo compartilhado”) e redesenhou a topografia do cinemão. Não é pouco. Ah, ser um filme para aplaudir em pé, claro, é a cereja no topo do bolo.

7. BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS
(The Dark Knight, Christopher Nolan, 2008)

Christopher Nolan é um visionário, o primeiro diretor que entendeu que “super-herói” não é um gênero, e sim um guarda-chuva que abriga qualquer gênero. Por isso que seu espetacular Batman – O Cavaleiro das Trevas é tão brilhante: é um thriller policial, um filme de roubo, uma aventura com uma visão cristalina sobre suas ambições artísticas e comerciais. E também se tornou um fenônemo pop ancorado por um Batman com os pés no chão e um Coringa destinado a eclipsar até seu antecessor: Jack Nicholson criou o “palhaço do crime”; Heath Ledger deu origem a um psicopata miserioso e imprevisível, o que lhe conferiu um senso de perigo que deu sentido até à trama confusa da aventura. Batman Begins foi um ótimo começo, mas com um diretor ainda verde no comando de um grande espetáculo; O Cavaleiro das Trevas Ressurge é um produto inchado que cedeu sob o peso de sua própria ambição, Entre um e outro, The Dark Knight surge como a baliza que os executivos da DC seriam espertos se usassem como modelo, uma obra-prima que escancarou para o mundo que “filmes de super-heróis”, sóbrios e relevantes, .

6. LOGAN
(James Mangold, 2017)

Quem diria que, dezessete anos depois de ser revelado ao mundo em X-Men como o mutante Wolverine, Hugh Jackman teria fôlego para encabeçar uma despedida tão brilhante, tão agridoce. Logan habita o universo dos melhores westerns, com o herói solitário na estrada para cumprir, relutante, uma última missão. Não por sua vontade, e sim por não ter escolha. A natureza violenta do herói, em contrapartida com seu espírito pacifista, dá o tom ao conflito que move a trama – conflito amplificado por um Charles Xavier (Patrick Stewart, espetacular) envelhecido e perdendo o comando de sua mente poderosa; e por Laura, uma nova mutante que mal entrou na adolescência, trazendo mais em comum com o Wolverine do que ele pode imaginar. Logan seria o ponto final perfeito para os X-Men no cinema – e a melhor oportunidade para um recomeço.

5. CAPITÃO AMÉRICA: O SOLDADO INVERNAL
(Captain America: The Winter Soldier, Joe e Anthony Russo, 2014)

Chris Evans as Captain America/Steve Rogers, center, in a scene from the motion picture "Captain America: The Winter Soldier." CREDIT: Marvel [Via MerlinFTP Drop]

Filme de super-heróis como thriller político: é isso que os irmãos Russo criaram quando fizeram de O Soldado Invernal uma aventura sobre o medo, e como este sentimento faz com que a população vire o rosto quando aqueles no comando tomam as medidas mais drásticas para garantir “nossa segurança”. Neste cenário, o Capitão América (Chris Evans) surge como a voz do passado, o homem que viveu o terror em uma época menos complicada, alguém capaz de enxergar as engrenagens do fascismo e que vê suas convicções ruirem quando enfrenta um fantasma que ele acreditava estar enterrado. Claro, o filme ainda obedece as convenções do “cinemão”, mas consegue inserir, mesmo nessa fórmula, uma trama que espelha, de forma assustadora, temores bem reais. No momento em que a América tem um líder com o dedo no botão da guerra, O Soldado Invernal é um pedaço de entretenimento ainda mais urgente!

4. CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL
(Captain America: Civil War, Joe e Anthony Russo, 2016)

Uma das fórmulas mais bacanas nos gibis de super-heróis é colocar os mocinhos, aqueles que lutam pelos mesmos ideais de justiça, saindo no braço. Depois sempre tudo se resolve, as diferenças ficam de lado, “avante Vingadores” e tal. Certo? Bom, não foi o caso em Guerra Civil. A série foi marcada por uma tragédia que colocou o Capitão América e o Homem de Ferro em pólos políticos antagônicos, sem que nenhum estivesse certo ou errado: o resultado foi um conflito que mudou o panorama da Marvel nos quadrinhos. O filme usa a HQ como inspiração para construir sua própria guerra, com motivações justificáveis de ambos os lados e resultados devastadores. Guerra Civil é uma aventura atípica, em que o vilão, pela primeira vez, termina triunfante. Tudo isso embalado por uma trama empolgante em que cada jogador tem uma função, e cada ato em consequências. A Marvel acertou, mais uma vez, em cheio.

3. ROBOCOP – O POLICIAL DO FUTURO
(RoboCop, Paul Verhoeven, 1987)

Paul Verhoeven criou um dos filmes definitivos dos anos 80 quando não deu muita bola para o que os produtores “encomendaram”: eles queriam um filme sobre um policial ciborgue invencível; ganharam uma sáira perversa sobre artificialismo e perda de humanidade, embalada por um dos personagens mais icônicos que o cinema já criou. Em sua transição de humano para super humano, o policial Alex Murphy (Peter Weller) é desconectado de sua individualidade e personalidade. Sublinhado na trama de poder corporativo e privatização de serviços públicos (soa familiar?), está sua luta para recuperar sua identidade, mesmo fechado em um corpo robótico. Nada mais heróico, certo? Mesmo subversivo e ultra violento, RoboCop terminou, de fato, como um produto, originando continuações, séries em quadrinhos, video games e até desenhos animados infantis (!), culminando com o reboot que ninguém deu muita bola. Quem venceu, afinal?

2. SUPERMAN – O FILME
(Superman – The Movie, Richard Donner, 1978)

Se essa lista existe, se super-heróis no cinema fazem parte de qualquer discussão sobre cultura pop, é porque Richard Donner e Christopher Reeve fizeram o mundo acreditar que o homem podia voar. Superman ainda é o mapa pelo qual todo filme com seres superpoderosos encontra seu Norte. Antes de Jack Nicholson ser trazido para legitimizar Batman, Marlon Brando e Gene Hackman mostraram, antes de qualquer cena ser rodada, que não era uma aventura infantil tomando forma, e sim cinema, arte, pessoas habilidosas criando o impossível. Sem nunca desrespeitar quem era o Homem de Aço e por quem ele lutava: eu, você, todo mundo que acredita que, sim, o homem pode voar. Com Superman, uma geração de sonhadores tratou de criar suas próprias aventuras. Voando sempre mais alto.

1. MATRIX
(The Matrix, As Wachowski, 1999)

Se o “filme de super-herói” moderno tem um ponto de partida, não precisa olhar além da aventura de ficção científica tecida por Lilly e Lana Wachowski. É um filme sobre transformação, sobre olhar além do mundo colocado sobre seus olhos. É sobre um sujeito comum que descobre estar destinado a algo maior e, ainda relutante, abraça seu futuro. E é sobre superpoderes, que explodem em fúria quando Neo aprende que sua vida está confinada em um programa de computador, um simulacro que esconde um mundo dominado por máquinas. A salvação da humanidade está em suas mãos, e ela será obtida por meio de feitos inimagináveis, executados em um espetáculo visual e tecnológico que mudou o modo de ver e de fazer cinema. Neo é o super-herói moderno, e não só no mundo fantástico criado pelas Wachowski (ainda antes de experimentar sua própria transformação, na época atendendo como Andy e Larry): ele também mostrou, do lado de cá, que o cinema estava pronto para abraçar essa nova geração de super-heróis. Mais do que o recomeço com X-Men, mais do que a criação do Universo Cinematográfico Marvel, mais do que o realismo espetacular de Christopher Nolan, é Matrix que surge como o melhor filme de super-heróis de todos os tempos.

Sobre o autor

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Sobre o blog

Cinema, entretenimento, cultura pop e bom humor dão o tom deste blog, que traz lançamentos, entrevistas e notícias sob um ponto de vista muito particular.

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