Blog do Sadovski

Crise na Terra-X: Tudo que a DC erra no cinema eles acertam na TV

Roberto Sadovski

01/12/2017 12h02

Arrow -- "Crisis on Earth-X, Part 2" -- AR608a_0705b.jpg -- Pictured (L-R): Stephen Amell as Dark Arrow, Tom Cavanagh as Dark Flash, and Melissa Benoist as Overgirl -- Photo: Jack Rowand/The CW -- © 2017 The CW Network, LLC. All Rights Reserved

Nem tudo está perdido para a DC. Com seu Universo Estendido esfarelando-se com a performance abaixo da expectativa de Liga da Justiça, e sua retomada acontecendo em pouco mais de um ano com Aquaman, os fãs dos heróis da editora só tem uma fonte de entretenimento fora dos quadrinhos: a telinha da TV. E, quer saber? As séries deste, digamos, “universo compacto” trazem tudo que o cinema fracassou em mostrar. Personagens bem desenvolvidos. Tramas bem amarradas. Respeito ao conceito de super-heróis. Com o crossover “Crise nas Terra-X”, que será exibido na noite de hoje pela Warner Channel, o público e os fãs terão a chance de ver os maiores heróis da Terra unidos contra uma ameaça em comum de maneira infinitamente mais satisfatória do que em Liga da Justiça.

O “culpado” é o produtor Greg Berlanti, que em 2012 colocou no ar a série Arrow, protagonizada pelo Arqueiro Verde. Apontado para protagonizar um filme de um então embrionário Universo Estendido DC no cinema, o abortado Supermax, o Arqueiro se mostrou perfeito para conduzir sua própria série na TV. Sem apelar para superpoderes e com um clima urbano que não exigia grandes orçamentos para ser executado, Arrow ainda contou com o carisma de Stephen Amell como protagonista, atingiu um público muito além dos fãs de gibis e ganhou aplausos da crítica. Aos poucos, Berlanti, com a ajuda de Marc Guggenheim e Andrew Krisberg, foi introduzindo mais elementos dos quadrinhos na série, “educando” o público para a introdução de histórias mais fantásticas que não parecessem deslocadas no realismo da série. E foi o que eles fizeram ao apresentar o Flash na segunda temporada.

Os heróis da TV adoram uma pose!

Foi uma aposta que deu certo. Interpretado por Grant Gustin, um poço de otimisto em contraponto à sobriedade mostrada por Amell, o Flash surgiu em três episódios de Arrow, ganhando série própria em 2014. Com efeitos especiais de padrão altíssimo até para a TV, o Homem mais Rápido do Mundo logo amealhou outra legião de fãs, e o sucesso da série (seu episódio de estreia é a segunda maior audiência da emissora The CW) encorajou seus criadores a mergulhar fundo nos quadrinhos e trazer personagens ainda mais fantásticos. Foi assim que heróis como Nuclear e vilões como o Gorila Grood saíram das páginas dos quadrinhos e ganharam versões de carne, osso e pixels. Legends of Tomorrow, terceira série deste universo compartilhado – ou Arrowverse –, estreou em 2016.

O primeiro crossover “oficial”, “Flash vs. Arrow”, trouxe o Flash e o Arqueiro Verde contra inimigos em comum atacando em suas cidades – Central City e Starling City. Já em “Heroes Join Forces”, o arqueiro e o velocista juntam forças com o Gavião Negro e a Mulher-Gavião contra o vilão Vandal Savage. E a coisa esquentou em “Invasion!” e, depois, em “Duet”, quando a Supergirl, que protagonizava sua própria série em outro canal, o CBS, foi trazida pelo Flash para ajudar no combate a uma invasão alienígena. Trazer a Supergirl de outro canal foi um pesadelo logístico, mas compensou quando o CW assumiu a série da Garota de Aço já em sua segunda temporada – mesmo que suas aventuras existam em uma Terra paralela à do Arrowverse. Aos poucos, a escala e a ambição das séries da DC aumentam, ao mesmo tempo em que outros elementos da DC nos quadrinhos acham espaço para se manifestar.

DC's Legends of Tomorrow --"Invasion"-- Image LGN207c_0277.jpg -- Pictured (L-R): Stephen Amell as Oliver Queen, Grant Gustin as Barry Allen, Brandon Routh as Ray Palmer/Atom and Melissa Benoist as Kara/Supergirl -- Photo: Diyah Pera/The CW -- © 2016 The CW Network, LLC. All Rights Reserved

Encontre o Superman nessa imagem de “Invasion!”

Se o conceito parece confuso, a verdade é que a DC nada de braçadas em Terras paralelas nos quadrinhos desde que os heróis da Era de Ouro, criados na alvorada da Segunda Guerra Mundial, foram “modernizados” na Era de Prata, nos anos 50, quando a ficção científica era mais proeminente nos gibis. De lá para cá, a DC experimentou alguns crossovers gigantes para acomodar personagens comprados de outras editoras – como Shazam!, vindo da Fawcett, e o Capitão Átomo, este da Charlton – e arrumar sua própria cronologia. Crise nas Infinitas Terras, publicado em 1985, foi o maior destes crossovers, que se tornaram parte do DNA da DC, como Lendas, Zero Hour, Os Novos 52 e Renascimento. Ao levar essa idéia para a TV, Berlanti e cia. ampliaram o escopo de suas séries, deram um salto no desenvolvimento de seus personagens e honraram a história da DC, mostrando que é possível abraçar a fantasia com respeito e talento.

“Crise na Terra-X” é a culminação desse movimento. Nestes cinco anos desde Arrow, os criadores das séries aos poucos introduziram elementos para que o público ficasse familiarizado não só com o conceito de seres superpoderosos e vigilantes fantasiados, mas também com a idéia de que os heróis habitam Terras diferentes que, em certo momento, podem entrar em choque. O gancho aqui é o casamento de Barry Allen, o Flash, com sua amada, Iris West. Pouco antes da cerimônia, vilões da Terra-X atacam, provocando uma união de justiceiros de vários mundos, o que inclui a Supergirl e o Caçador de Marte, além de heróis inéditos como o Cidadão Frio e o Ray. Só mesmo o Superman ficou de fora da festa – mas ele existe no mundo da Supergirl, interpretado por Tyler Hoechlin e muito mais “super” do que a versão de Henry Cavill para o cinema. Na verdade, todo o senso de espetáculo, de grandeza e de otimismo dos personagens da DC que estão ausentes no cinema encontram espaço nas séries de TV.

O poster glorioso baseada nas capas do gibi da Liga da Justiça

É na TV que a DC, portanto, encontrou seu equilíbrio. Em vez de imitar a fórmula bem sucedida da Marvel, a opção dos executivos das séries foi encontrar sua própria receita para expansão e abraçar o que a DC tem de melhor e mais característico para oferecer nos quadrinhos: o conceito de mundos paralelas. Assim, é fácil imaginar um dia um retorno de Tom Welling, o Superman de Smallville, em algum crossover do Arrowverse. Indo além, é possível imaginar que todas as encarnações dos heróis da DC, inclusive no cinema, possam coexistir em vibrações diferentes, e que os Batman de Christopher Nolan simplesmente estão em um plano paralelo aos Batman de Tim Burton. Se a criação de uma cronologia linear como a da Marvel já deu para trás, por que não abraçar o fantástico e usar pérolas como “Crise na Terra-X” como um novo mapa? Os fãs, a essa altura cansados de tanta rasteira, só tem a agradecer – e imaginar o que os criadores da DC na TV fariam com um orçamento de cinema…

Sobre o autor

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Sobre o blog

Cinema, entretenimento, cultura pop e bom humor dão o tom deste blog, que traz lançamentos, entrevistas e notícias sob um ponto de vista muito particular.

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