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Quem é Thanos: a origem do vilão que você verá em Guerra Infinita

Roberto Sadovski

20/04/2018 12h51

Thanos, o titã louco. Thanos, o anti-herói. Thanos, o deus… O inimigo dos Vingadores em Guerra Infinita já teve muitas denominações em seus quadrinhos originais, resultado de sua criação e desenvolvimento espaçados, surgindo como intruso em diversos títulos, cada vez aumentando em tamanho, em poder e em ambição. Talvez um reflexo do propósito original de seu criador, o roteirista e desenhista Jim Starlin, que o concebeu, ao lado de Drax, o Destruidor, em aulas de psicologia na faculdade, espremidas entre o serviço militar e o começo de sua carreira nos quadrinhos. Fã de Jack Kirby e de seus Novos Deuses, que o artista havia criado para a DC, Starlin "emprestou" o visual do personagem Metron mas, aconselhado pelo então editor da Marvel, Roy Thomas, anabolizou sua criação, deu-lhe alguns traços do poderoso Darkseid dos Novos Deuses e deixou Thanos pronto para ser usado.

Sua estreia foi na edição 55 de Homem de Ferro, título que Starlin havia assumido para dar um empurrão em sua carreira. Thanos, levemente mais magro então, enfrenta o Vingador Dourado ao marchar com seu exército para a Terra em busca do poder do Cubo Cósmico, peça de extremo poder que o deixaria capaz de impressionar sua amada, uma personificação humana da Morte. Logo ficou claro que a linha narrativa cósmica não se encaixava com as aventuras do Homem de Ferro, então Starlin levou sua criação para a revista do Capitão Marvel, mais adequada a seu escopo espacial. É aí que descobrimos mais fragmentos de sua origem, de seu nascimento e infância em Titã, uma das luas do planeta Saturno, e como sua sede de poder assustou até a seu pai, Mentor. O combate com o Capitão Marvel, que se aliara a ISAAC, um computador vivo baseado em Titã, termina com a destruição do cubo e a fragmentação do espírito de Thanos, então ligado ao objeto.

Thanos faz sua estreia em Iron Man #55

Não era o fim, claro, já que Thanos reintegrou sua forma física para se aliar a Adam Warlock, um ser artificial que havia se tornado detentor de uma das Jóias do Infinito, a Jóia da Alma. Na superfície seu objetivo é ajudar Warlock a derrotar o fanático religioso Magus, líder de um império que ameaça a galáxia – e os planos do titã louco. O que ele planeja é agradar a Morte destruindo uma galáxia inteira, pulverizando um Sol com o poder extraído da Jóia da Alma. Essa aventura, que foi publicada no Brasil pela editora Abril na primeira edição de Grandes Heróis Marvel, é também uma das melhores histórias dos Vingadores: é preciso da força combinada dos heróis mais poderosos da Terra com Adam Warlock, além do Homem-Aranha e do Coisa, para finalmente destituir Thanos de seu poder, aprisionando-o na forma de uma estátua de pedra, condenado a vagar pela galáxia em sua arca espacial, cercado de devotos que um dia esperam por seu retorno.

Seria o fim de Thanos, se o próprio Jim Starlin não tivesse planos ainda mais ambiciosos para a sua criação. Uma vez livre de sua prisão de pedra, Thanos reúne todas as Jóia do Infinito e as combina em uma manopla, uma luva que controla o poder de cada gema: alma, tempo, espaço, realidade, poder e mente. Seu plano é simples: apagar metade da vida de todo o cosmos da existência, o que a manopla lhe permite literalmente num estalar de dedos. Embora o combate com os Vingadores e outros heróis da Terra seja feroz (retratado na série Desafio Infinito, desenhada por George Perez e Ron Lim), é mais uma vez Warlock o algoz de sua derrota. Ao fim da saga, porém, descobrimos que o próprio Thanos permitiu a vitória de seus inimigos, sabendo em seu subconsciente não ser ser digno do poder supremo das Jóias do Infinito.

O vilão sofre sua grande derrota ao combater os Vingadores e Warlock

A essa altura, a Marvel já encarava Thanos não como mais um vilão, e sim como uma força da natureza que podia conduzir histórias de escopo cósmico e ameaças de alcance ilimitado. Sua busca a partir de então sempre foi por conhecimento e informação, alimentando ainda mais seu poder quase infinito e concretizando, mesmo que brevemente, seu amor pela Morte. Sua trajetória sempre aparece ligada a outras entidades cósmicas da editora: primeiro o Capitão Marvel e Adam Warlock, depois o Surfista Prateado. Suas encarnação mais recente foi na minissérie Guerra Civil II, o colocando de encontro com os Vingadores, em um combate por um Cubo Cósmico que deixou a Mulher-Hulk mortalmente ferida e custou a vida de James Rhodes, o Máquina de Combate.

Como membro da raça conhecida por Eternos, ainda que seja um mutante entre seu povo ao carregar o DNA de uma raça inimiga, os Deviantes, Thanos é um estranho entre seus pares, o que o levou a causar a total aniquilação de seu mundo natal. Suas já consideráveis habilidades naturais foram ampliadas com uma combinação arcana de biônica e feitiçaria, além de poder puro lhe conferido por sua amada, a Morte. Dessa forma, Thanos é poderoso o bastante para dominar o poder das Jóias do Infinito, além de ser um guerreiro implacável, treinado na arte da guerra em sua lua natal. Um gênio capaz de viajar no tempo e por entre as dimensões do espaço, Thanos é o adversário mais mortal que os Vingadores – ou qualquer outro ser – já enfrentaram.

Desafio Infinito lhe deu os poderes de um deus

Sua versão em Vingadores: Guerra Infinita simplifica toda sua trajetória nos quadrinhos, deixando sua jornada mais linear. Sua primeira aparição foi em Os Vingadores, de 2012, em que ele sorri ao ser informado da derrota de Loki e de sua força invasora, os Chitauri: "Desafiar os humanos é cortejar a morte", lhe diz seu servo, para a satisfação do Titã. Com a introdução das Jóias do Infinito no Universo Cinematográfico Marvel, Thanos faz de sua aquisição sua jornada. As gemas se manifestam em momentos e com formas diferentes ao longo de diversos filmes. A jóia do poder está em Xandar, lá deixada ao fim de Guardiões da Galáxia; a da realidade foi entregue ao Colecionador em Thor: O Mundo Sombrio; a do tempo encontra-se ligada ao Olho de Agamotto, objeto de poder mostrado em Doutor Estranho; a da mente foi deixada na fronte do Visão em Vingadores: Era de Ultron; e a do espaço, cristalizada no Tesseract, foi removida por Loki da sala de troféus de Odin ao fim de Thor Ragnarok.

É nesse ponto em que chegamos a Vingadores: Guerra Infinita, com o titã reunindo as jóias e concentrando seu poder na Manopla do Infinito – o paradeiro da gema mais poderosa, a Jóia da Alma, ainda é uma incógnita. Seu objetivo, como Gamora deixa claro, é exterminar metade da vida na galáxia. O guia para o novo filme é justamente a série Desafio Infinito mas, como todas as sagas que serviram de inspiração para os filmes do MCU, a história não deve ser tomada ao pé da letra, e sim como um guia para o filme. Uma coisa é certa: se o Titã Louco for tão poderoso no cinema como é nos quadrinhos, nem de longe essa será a última vez que ouvimos falar de Thanos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Sobre o blog

Cinema, entretenimento, cultura pop e bom humor dão o tom deste blog, que traz lançamentos, entrevistas e notícias sob um ponto de vista muito particular.