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Roberto Sadovski

Robin "full pistola" fala palavrão e erra o tom no trailer de Titans

Roberto Sadovski

19/07/2018 19h15

"Fo**-se o Batman!" Mal começa o trailer de Titans, série live action da equipe juvenil da DC, e o Menino-Prodígio já dispara um palavrão, antes de triturar meia dúzia de malfeitores. Este é o tom que acompanha o preview revelado no primeiro dia da San Diego Comic-Con, mostrando o que esperar dos produtos da editora em seu próprio serviço de streaming que toma o mundo ainda este ano, o DC Universe. Aquele fã com 12 anos de idade, que dá risada quando o pai solta uma bomba verbal assistindo ao futebol da quarta à noite, vibrou e aplaudiu de pé! Afinal, "sombrio e violento" são as palavras de ordem na esmagadora maioria dos produtos relacionados aos heróis da editora quando saltam das páginas dos gibis para outras mídias. Não que isso seja traduzido como "série adulta", mas é uma visão adolescente do que seria de gente grande. Radical.

O que, no fim das contas, pode até mirar a favor de Titans. Quando o gibi foi criado, a ideia era juntar os ajudantes juvenis dos super-heróis adultos e tocar tramas mais light, mais adolescentes. A coisa mudou nos anos 80, quando Marv Wolfman e George Pérez reimaginaram os (agora Novos) Titãs como uma equipe disposta a sair da sombra de seus mentores. Não eram mais adolescentes, e sim jovens adultos anda procurando seu lugar no mundo, mas tendo de enfrentar ameaças casca-grossa. Eram a resposta da DC aos X-Men da Marvel, que então se colocava como carro-chefe da concorrência e vendia milhares de revistas. Os Novos Titãs funcionaram à perfeição e criaram seu próprio cantinho dentro da DC. Mas suas aventuras sempre foram intensas. Nunca foram sombrias ou violentas – mesmo que um demônio interdimensional fosse seu maior inimigo.

O Robin fala PALAVRÃO, mano!

O trailer de Titans aponta esse caminho, colocando a jovem Ravena (Teagan Croft), filha de uma humana com o tal demônio, Trigon, tentando lidar com a escuridão dentro de si. Ela procura Robin (Brenton Thwaites), pede ajuda para conter esse monstro interior, e a partir daí a equipe é formada, com Mutano (ou Rapaz-Fera, depende de sua idade, interpretado por Ryan Potter), Estelar (Anna Diop) e a dupla Rapina (Alan Ritchson) e Columba (Minka Kelly). Existe potencial para uma série que mistura ação com angústia juvenil. Mas a opção em abraçar a violência me parece fora de eixo. Como disse um amigo, a DC hoje opera em dois modos: ou tudo é sombrio e dramático e desprovido de humor, ou é o total oposto, com muitas cores, clima leve e jeitão de pirlimpimpim. Acho que as séries de TV com o selo da editora, como Flash e Supergirl, atingiram um bom equilíbrio entre ação e intensidade, e desapegar das amarras de uma TV aberta (ou mesmo um canal a cabo) abre espaço para esquentar as coisas. Mas quando a gente vê a doce Columba esmigalhando o rosto de um bandidão, não dá para não pensar que é adolescente e meio bobo.

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Titans parece, por fim, a primeira resposta da DC ao sucesso que a Marvel teve com seus personagens em séries do Netflix. Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e – principalmente – Justiceiro usaram com inteligência a liberdade que vem com o serviço de streaming. Mas a proposta adulta fica evidente no momento em que toda trama se torna sobre os personagens, e não sobre roupas coloridas e poderes fantásticos. De certa forma, esse clima pesado não combina com aventuras de super-heróis. O Netflix entendeu, e o Demolidor só foi colocar seu traje de combate (o que inclusive é justificado como tal!) ao fim da primeira temporada. Mesmo com as cores escuras, o Robin ainda é o Robin, um contraponto ao peso do Batman, e ver o herói sentando o braço como num filme de Steven Seagal parece fora do tom. Adoraria ver Arrow com essa pegada, que tem muito mais a ver com a jornada do personagem. Patrulha do Destino e Monstro do Pântano, ambos a ser lançados no DC Universo, praticamente imploram por esse tom sombrio e violento. Titans merece uma chance, claro. Mas, do jeito que está, meu preferido continuará sendo Teen Titans Go!.

Sobre o autor

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Sobre o blog

Cinema, entretenimento, cultura pop e bom humor dão o tom deste blog, que traz lançamentos, entrevistas e notícias sob um ponto de vista muito particular.