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Blog do Sadovski

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O que muda na Marvel com a volta de James Gunn a Guardiões da Galáxia

Roberto Sadovski

2018-03-20T19:05:40

18/03/2019 05h40

James Gunn foi recontratado para dirigir Guardiões da Galáxia Vol. 3 – bum! O Deadline soltou a bomba semana passada, logo depois confirmada pelo próprio diretor em seu Twitter. Foi, de longe, a maior surpresa do cinemão pop no ano. Até porque muita água rolou desde sua demissão, em julho do ano passado, motivada por tuítes com quase uma década de idade, desencavados por um blogueiro da direita americana que obviamente queria prejudicar Gunn – desde sempre uma das vozes mais constantes contra o governo de Donald Trump. O tal blogueiro, um anônimo que conseguiu suas migalhas de fama, provavelmente deve estar em posição fetal agora, remoendo a virada sensacional protagonizada por Gunn. Às vezes dá gosto ver um #grandedia em meio à tanta caca.

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O retorno de Gunn, claro, muda totalmente a perspectiva do futuro do universo Marvel no cinema – o MCU -, e explica em parte o porque do silêncio do estúdio acerca de seus planos pós-Vingadores: Ultimato. A agenda conta com Homem-Aranha: Longe de Casa na sequência e nada. Silêncio. Afinal, a volta de Gunn foi costurada em silêncio ainda no terceiro trimestre do ano passado, e não fazia sentido colocar o bloco na rua antes de o estúdio começar sua festa em 2019, iniciada com pompa com o lançamento de Capitã Marvel – que, entre outros triunfos, deu uma banana aos trolls machistas que infestam a internet ao bater 760 milhões de dólares nas bilheterias em pouco mais de dez dias. A bilheteria nos Estados Unidos já soma mais que o total de Venom e Capitão América: Soldado Invernal, e seu resultado internacional deixou no chinelo Deadpool 2 e Mulher-Maravilha. A volta de James Gunn é a cereja no bolo de uma temporada já vitoriosa para a Marvel.

O motivo é que, antes de sua demissão, Gunn era apontado como um dos arquitetos para a quarta fase do estúdio no cinema. A ideia, suspeita-se, é que a Marvel aproveitaria o gás de Vingadores: Guerra Infinita, e a abertura proposta por Capitã Marvel, para expandir ainda mais os horizontes cósmicos de seu universo. Para dourar ainda mais a coisa toda, essa quarta fase já poderia ser tocada com os personagens – e as histórias em quadrinhos – até então em poder da Fox, envolvendo os X-Men e, principalmente, o Quarteto Fantástico: a aquisição do estúdio concorrente pela Disney deve ser completada em poucos dias. Dessa forma, Gunn teria uma gama de personagens novíssimos para o MCU, mas já conhecidos do público, para tecer o futuro desse universo. Os planos haviam sido suspensos quando ele foi demitido, mas seu retorno traz energia renovada para o futuro da empresa que agora pode incluir, do modo certo, o Surfista Prateado e Galactus, além dos alienígenas Shi'ar, dos aventureiros Piratas Siderais e do Aniquilador com sua Zona Negativa.

Os Guardiões da Galáxia recuperaram seu condutor!

Os sinais de sua volta, vale ressaltar, estavam na cara. A Marvel nunca embarcou oficialmente em um substituto para James Gunn no comando do terceiro Guardiões da Galáxia (mesmo com Taika Waititi e Adam McKay sendo ventilados pelos especuladores online) e chegou a deixar claro que o roteiro de Gunn seria usado no novo filme. O alívio de seu retorno também deve refletir no elenco – que ainda não se posicionou oficialmente, mas ao longo dos últimos meses expressou seu apoio ao diretor e à sua visão. A essa altura, seria bem difícil imaginar Guardiões da Galáxia sem o DNA de Gunn, com sua mistura de ação e humor, personagens e relações bem desenvolvidas e trilha sonora que surge como parte da narrativa. Qualquer substituto seria visto com péssimos olhos pelos fãs e teria a escolha de conduzir a coisa como um imitador pálido de Gunn ou reiniciar a coisa toda com uma nova visão. Pelo visto, o barco retomou seu rumo.

Agora a engrenagem da Marvel para o futuro se torna um jogo de paciência. É possível que o estúdio anuncie seu line up para os próximos anos no intervalo entre Ultimato e Longe de Casa, já contando com Gunn de volta ao time e também com sua galeria de personagens expandida com a adição dos heróis até então sob a aba da Fox. A roda, claro, continuou girando, com outros filmes em desenvolvimento. Viúva Negra terá Scarlett Johansson encabeçando o filme-solo da espiã sob direção de Cate Shortland. Os Eternos tem Chloé Zhao no comando e começa a ser rodado em agosto do ano que vem. O diretor sino-americano David Callahan está desenvolvendo Mestre do Kung Fu. E Capitã Marvel amplia os horizontes cósmicos que devem ser explorados em Guardiões da Galáxia Vol. 3 – além das continuações de Doutor Estranho e Pantera Negra. É provável que Gunn, que é creditado em Ultimato como produtor executivo, já estivesse trabalhando com todos estes criadores para desenhar os novos rumos do MCU.

Quem ganha com tudo isso ainda é o público, que vê a mente criativa de James Gunn mais uma vez atrelada a uma série que já rendeu 1.6 bilhões de dólares aos cofres da Disney. E tem o bônus de o diretor escrever e assinar o reboot de Esquadrão Suicida para a concorrência, filme com o qual Gunn já havia se comprometido e que vai entregar para um lançamento em 6 de agosto de 2021 – ou seja, nada de Quill, Rocket, Nebulosa, Drax e cia. de volta antes de 2022. E ganha, acima de tudo, o bom senso. O presidente da Disney, Alan Horn, conversou em diversas ocasiões com Gunn antes de reverter sua demissão, dando a entender que o estúdio do Mickey versão século 21 acredita que as pessoas possam evoluir – e que não vai aceitar a pressão de grupelhos de extrema-direita que usam as redes sociais como palco para o obscurantismo. "Obrigado a cada pessoa que me apoiou nos últimos meses", disse o diretor, quebrando seu silêncio no twitter, auto-imposto desde julho do ano passado. "Estou empolgado para continuar explorando em meus filmes os laços afetivos que ligam a todos nós."

Sobre o autor

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Sobre o blog

Cinema, entretenimento, cultura pop e bom humor dão o tom deste blog, que traz lançamentos, entrevistas e notícias sob um ponto de vista muito particular.