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Blog do Sadovski

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Velozes & Furiosos, do pior ao melhor: Um ranking dos filmes da saga

Roberto Sadovski

08/08/2019 06h12

 

Esqueçam os X-Men: a série mais mutante da história do cinema é Velozes & Furiosos. Depois do começo modesto como thriller policial ambientado no (sub)mundo das corridas urbanas (o filme original foi inspirado em um artigo sobra a prática em Los Angeles), a série transmutou-se para a fórmula do "filme de roubo", flertou com espionagem internacional e, em sua encarnação mais recente, aportou sem nenhum constrangimento da mais pura ficção científica. É uma tremenda bobagem, mas uma bobagem divertidíssima, descompromissada e el total sintonia com o público. Afinal, os nove filmes da série já renderam mais de 5.3 bilhões de dólares (e contando…), apostando em uma fórmula de ação genérica anabolizada pelas sequencias mais absurdas que o dinheiro hollywoodiano pode produzir – tudo ancorado pelo elenco mais diverso que o cinemão já reuniu e por um tema recorrente: a família. Tentei organizar os filmes na ordem de preferência – mas a ordem nem importa, já que depois de um tempo todos parecem exatamente iguais. Apertem os cintos e… bom, vocês sabem o resto

9. +VELOZES+FURIOSOS
(2Fast2Furious, John Singleton, 2003)

"Aquele sem o Vin Diesel!"

Vin Diesel aparentemente não gostou de dividir os holofotes e foi criar uma série egoísta (xXx, que teve uma única continuação com o astro e nem de longe fez o mesmo barulho). Sobrou a Paul Walker o trampo de carregar o segundo filme, que existe unicamente pela força do sucesso-surpresa de seu antecessor. A trama é uma bobagem que coloca o ex-policial Brian O'Conner desbaratando uma quadrilha de traficantes em Miami. Sem o impacto do original, o filme capricha no desfile de carros tunados – aparentemente as montadoras e o mercado de colecionadores de miniaturas abraçaram o nicho – para compensar a história meia-boca. O carro arremessado no iate no clímax, porém, é tão absurdo que ficou até bacana. No fim, é sobre família.

8. VELOZES & FURIOSOS 4
(Fast & Furious, Justin Lin, 2009)

(L to R) Dominic Toretto (VIN DIESEL) reaches for Letty (MICHELLE RODRIGUEZ) during a car chase in the high-octane action-thriller ?Fast & Furious?.

"Aquele que ninguém lembra!"

Vin Diesel voltou à série em definitivo no quarto "capítulo" ao firmar um acordo que o colocou também como produtor, ajudando a ditar o futuro da…. errr…. "saga". O trunfo aqui foi reunir o elenco do filme original, desta vez para desmontar uma operação de tráfico de heroína (ok, ideias originais não são o forte da série…). O problema é que Diesel e cia. não sabiam exatamente que direção a série tomaria: o frisson em torno das corridas urbanas já havia diminuído, e a coisa corria sério risco de ganhar contornos de cinema de ação genérico. As perseguições também não encontraram um Justin Lin particularmente inspirado e a empreitada toda terminou com uma sensação de "beleza, mas e agora?", que eles tinham de resolver sob o risco de enterrar a série. Ah, bônus: Velozes & Furiosos 4 revelou ao mundo Gal Gadot. No fim, é sobre família.

7. VELOZES & FURIOSOS: DESAFIO EM TÓQUIO
(The Fast and the Furious: Tokyo Drift, Justin Lin, 2006)

"Aquele em que Han morre!"

Sem Diesel. Sem Walker. Mas com Lucas Black (quem?) sendo despachado para Tóquio por ser um adolescente problemático, e que no Japão descobre a cultura das corridas de derrapagem (drifting para os entendidos) e se torna um adolescente ainda mais problemático. Foi aqui, vale lembrar, que o diretor Justin Lin assumiu as rédeas da série, assinando na sequência mais três filmes – quatro se a gente contar com o novo, já agendado para o ano que vem. Perder seus astros, porém, representou um baque na receita (é o capítulo menos bem sucedido), o que forçou o estúdio a capitular ante os pedidos de Diesel. Para mostrar que ele estava disposto a erguer uma bandeira branca, o ator surge na cena final, aparentemente passando a tocha – só que não. No fim, é sobre família.

6. VELOZES & FURIOSOS 8
(The Fate of the Furious, F. Gary Gray, 2017)

"Aquele com o submarino!"

Nada como um bom filme de ação que flerta com o absurdo e dobra as leis da física. Mas o oitavo Velozes exagera na dose, com carros se estapeando como numa mesa de pinball e, no clímax da coisa, apostando corrida com um submarino sob o mar congelado. Em vez de empolgar, causou gargalhadas. O roteiro é igualmente difícil de engolir. Dom Toretto (Vin Diesel, claro) é aparentemente seduzido para o Lado Negro da Força pela misteriosa Cipher (Charlize Theron, que eu honestamente havia esquecido ter feito parte da série) e torna-se terrorista procurado. Para enfrentá-lo, o resto da gangue apela para Deckard Shaw (Jason Statham), capturado no filme anterior e, até onde lembramos, assassino de Han Lue (Sung Kang), um favorito dos fãs apagado no terceiro filme, que cronologicamente se passa depois do sexto e… ah, deixa quieto. É divertidíssimo, é completamente absurdo, é totalmente inverossímil. No fim, é sobre família.

5. VELOZES & FURIOSOS: HOBBS & SHAW
(Fast & Furious Presents: Hobbs & Shaw, David Leitch, 2019)

"Aquele sem o Vin Diesel! De novo!"

Riggs e Murtaugh. Lee e Carter. Tango e Cash. O cinema de ação está coalhado de duplas policiais que nunca se bicam, mas que por fim trabalham juntas e aprendem respeito e admiração mútua. Como em todo o resto de Hobbs & Shaw, o relacionamento dos personagens de Dwayne Johnson e Jason Statham é exagerado, mas a comédia funciona para ajudar a engolir os absurdos do primeiro spin off de Velozes & Furiosos. Não contente em engendrar cenas de ação mais e mais explosivas e irreais, a aventura abraça de vez a ficção científica ao apresentar Brixton, personagem de Idris Elba que se apresenta como o "Superman negro", um terrorista recheado de implantes cibernéticos que o deixam quase indestrutível. Vai ser difícil o próximo filme da série fincar de novo os pés no realismo. Tudo bem. No fim, é sobre família.

4. VELOZES & FURIOSOS 6
(Fast & Furious 6, Justin Lin, 2013)

"Aquele com o tanque de guerra!"

"Vocês são os melhores, precisamos de vocês!" Esse é o mote de Velozes & Furiosos desde que a série experimentou mudança radical de rumo depois da quinta aventura. Aqui a premissa se materializa quando o agente Hobbs convoca Dom Toretto e sua trupe para ajudar na caçada a um grupo de mercenários internacionais porque eles são….. bons motoristas? Enfim. Para deixar a coisa mais emocionante, Letty (Michelle Rodriguez), namorada de Dom, volta dos mortos sem memória e ao lado dos vilões. Tudo se amarra em uma quebradeira nas ruas de Londres, em que nossos heróis precisam triunfar para ganhar perdão total por seus delitos e tocar suas vidas. É, eu sei, não faz o menor sentido. Mas tem tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que a gente até esquece de respirar e pensar em coisas básicas como roteiro. No fim, é sobre família.

3. VELOZES & FURIOSOS
(The Fast and the Furious, Rob Cohen, 2001)

"Aquele que praticamente refilma Caçadores de Emoção!"

Brian O'Conner é um policial de Los Angeles que, para investigar uma série de roubos espetaculares cometidos por motoristas altamente habilidosos, infiltra-se em um grupo de entusiastas de corridas urbanas. Seu líder, Dom Toretto, é um sujeito durão que trata os amigos como uma segunda família, abraçando Brian como um irmão. Quando todos revelarem suas verdadeiras cores, será que o policial cumprirá seu dever? Ou será que ele vai proteger aqueles que o acolheram? Será que um filme poderia plagiar com mais cara de pau a trama inteira de Caçadores de Emoção? Não importa. Velozes & Furiosos surgiu do nada na temporada do verão americano de 2001, atropelou os hypados Tomb Raider e Inteligência Artificial nas bilheterias e terminou como propriedade intelectual valiosa para o estúdio. E, tratando-se de uma cópia, é até bem decente. No fim, é sobre família.

2. VELOZES & FURIOSOS 7
(Furious 7, James Wan, 2015)

"Aquele com o carro saltando entre os prédios!"

O sétimo filme da série foi criado na sombra de uma tragédia: a morte de Paul Walker em um acidente automobilístico, quando a produção alcançava o meio do campo. O estúdio apertou o pause, dando tempo para Vin Diesel, o roteirista Chris Morgan e o diretor James Wan redirecionarem o filme para tentar completá-lo, honrando a memória do amigo. O resultado é um filmaço de ação que traz o melhor da série, com cenas de ação vertiginosas emolduradas por bom humor e equilibradas com um vilão bacana. Ainda assim, é um filme agridoce, em que o relacionamento entre todos os personagens – ou melhor, entre os atores que criaram laços indissolúveis ao longo dos anos – ganha destaque maior que tiros e explosões. A tecnologia usada para suprir a ausência de Walker impressiona (dublês digitais recriaram o ator em sequências inteiras), e a despedida narrada por Vin Diesel emociona. No fim, é sobre família.

1. VELOZES & FURIOSOS 5
(Fast Five, Justin Lin, 2011)

"Aquele no Rio de Janeiro!"

Finalmente, o Monte Everest dos filmes de ação do novo século. Em alguns anos, quando escreverem a história do cinema de gênero na Hollywood contemporânea, Velozes & Furiosos 5 terá lugar entre os melhores. Porque seus responsáveis operaram um verdadeiro milagre: transformaram com sucesso uma série sobre carros tunados e corridas urbanas em um heist movie, um filme de roubo no melhor estilo Onze Homens e Um Segredo. Ambientado no Rio de Janeiro, a aventura coloca Dom Toretto e Brian O'Conner à frente de uma equipe disposta a roubar centenas de milhões de dólares de um traficante carioca superpoderoso (interpretado pelo nada carioca e muito português Joaquim de Almeida), ao mesmo tempo em que enfrentam a força tarefa comandada pelo agente federal Luke Hobbs (Dwayne Johnson, somando uma tonelana de carisma bruto à série). Com ritmo acelerado, personagens bem desenhados e cenas de ação absolutamente empolgantes, Velozes 5 é o padrão pelo qual a série passou a se guiar, tornando-se a partir daqui um fenômeno global – e vai causar espanto zero se as corridas em futuros filmes forem ambientadas, sei lá, em Marte. No fim, é sobre família.

Sobre o autor

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Sobre o blog

Cinema, entretenimento, cultura pop e bom humor dão o tom deste blog, que traz lançamentos, entrevistas e notícias sob um ponto de vista muito particular.