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Não, Coringa não vai ganhar o Oscar (veja quem pode ser indicado amanha!)

Roberto Sadovski

12/01/2020 05h42

Oscar de melhor filme para Coringa? Esquece. O drama dirigido por Todd Phillips ganhou corações apaixonados de uma legião de fãs, mas dificilmente descola a principal estatueta dourada na próxima cerimônia da Academia, que acontece no começo de fevereiro. Pelo andar da carruagem, a turma pode se contentar com um "careca" para Joaquin Phoenix (embora eu também não aposte nisso, por motivos de Adam Driver), outro para a trilha de Hildur Guðnadóttir (nesse sim eu aposto) e só. Do jeito que as peças estão configuradas no tabuleiro das premiações, só dois filmes são apostas certas para passar o rodo geral na festa: Era Uma Vez em Hollywood e Parasita. Ainda assim, o Oscar é bom em descolar uma surpresa de última hora, premiando alguma produção medíocre (Green Book, Shakespeare Apaixonado, O Discurso do Rei) entre filmes verdadeiramente espetaculares. Então, vai saber como as coisas serão este ano.

Mas vamos falar sobre o que importa: matemática. As premiações dos críticos, o eventual reconhecimento em festivais e até o oba oba do Globo de Ouro não servem como parâmetro para o Oscar. Por outro lado, todas as listas e prêmios servem para jogar luz em cima de filmes que talvez não estivessem no radar dos membros da Academia. Até mesmo as indicações para o BAFTA, que tem membros repetindo o voto na Academia, não é o quadro mais preciso. Qualquer filme com a mínima esperança de garfar o Oscar principal precisa ter o aval das guildas, as associações de produtores, diretores e atores que, no frigir dos ovos, determinam historicamente os indicados à estatueta dourada. Este ano, quatro filmes foram reconhecidos por seus pares nas três guildas: Jojo Rabbit, O Irlandês, Era Uma Vez em Hollywood e Parasita. Os outros indicados à Producer´s Guild, por sua vez, não repetiram o aval em outras associações: História de Um Casamento, Adoráveis Mulheres, Ford v Ferrari, Entre Facas e Segredos e Coringa (olha ele aí!) não entraram nas listas dos atores ou dos diretores; 1917 teve Sam Mendes indicado como diretor, mas seu elenco foi deixado de lado.

Jojo Rabbit: esquisito demais, incrível até o osso!

Ampliar os indicados a melhor filme para dez concorrentes foi uma bola fora. Estar na lista seleta dos cinco, como era padrão histórico até a cerimônia de 2009, parecia dar um status especial à produção. Mas foi o ano em que Batman – O Cavaleiro das Trevas, um filme indiscutivelmente pop, ficou fora dos indicados (eu tiraria sem dó o modorrento O Leitor, que só serviu para o Oscar de Kate Winslet). Ainda assim, nem todo ano a lista completa uma dezena – e eu acredito que o mesmo vai acontecer esse ano, com a Academia arredondando seus prediletos para nove. Da lista da PGA, difícil enxergar um filme como Entre Facas e Segredos – excepcional e delicioso, mas pouco "nobre" como mistério de assassinato – em meio à elite. Se fosse para cortar um segundo título, Coringa encontraria meu facão, mas é difícil a essa altura ignorar uma produção de 1 bilhão de dólares que empresta prestígio ao tão vilipendiado subgênero "adaptação de super-herói dos quadrinhos". E o filme, mesmo com um certo desprezo da crítica, é legal.

Vamos, portanto, concentrar a atenção no quarteto com todas as chances em mãos. Jojo Rabbit é prova do imenso talento de Taika Waititi, mas talvez seja um filme estranho demais para a Academia reconhecer com algo além de uma indicação. O Irlandês é a grande chance da Netflix abraçar o Oscar principal depois de Roma vergonhosamente perder ano passado para um filme tão qualquer nota como Green Book – é evidente que o drama de Alfonso Cuarón não fisgou a estatueta principal devido, na falta de uma palavra melhor, ao ranço com a plataforma de streaming. Será que a obra de Martin Scorsese já conseguiu superar o estigma de "a Netflix não é cinema" que dominou o papo um ano atrás? Mais ainda: será que, com quatro filmes na roda (além de O Irlandês, a empresa quer abraçar a festa com História de Um Casamento, Dois Papas e Meu Nome É Dolemite), a atenção não será pulverizada? Nesse cenário, Parasita viu seu cachê subir à estratosfera não só como o filme mais importante do ano, como também o mais celebrado por seus pares. É o bastante para ele ir além de uma indicação como melhor filme estrangeiro e ser reconhecido em diversas categorias, em especial melhor filme, direção, ator coadjuvante (para o espetacular Song Kang Ho), roteiro, montagem e direção de arte. Mas será que a nova década começa com a Adacemia entregando as chaves do reino para um filme em que seus membros precisam ler as legendas?

Leonardo DiCaprio colocou fogo em Era Uma Vez em Hollywood (e na Amazônia….)

É exatamente por isso que o filme a ser batido este ano ainda é Era Uma Vez em Hollywood. Não houve filme em 2019 tão aplaudido pela indústria quanto a fábula hollywoodiana de Quentin Tarantino. Os atores adoram o filme. Cineastas adoram o filme. A turma que pega no pesado, de eletricistas a carpinteiros a maquiadores e executivos, todos adoram o filme. O público adora o filme, que o transformou em um sucesso global de 370 milhões de dólares. Sem falar que é um filme que fala com o próprio umbigo de Los Angeles, capital ianque do cinema, em que ego é quase requerimento para habitar o mesmo CEP dos astros e estrelas. Tarantino, por sinal, não segurou o seu, basicamente agradecendo a si mesmo em todos os prêmios que recebeu até agora. Pode causar um certo mal estar? Talvez. Mas é Hollywood, onde James Cameron pediu um minuto de silêncio pelas vítimas do Titanic antes de se empolgar como adolescente com um "Eu sou o rei do mundo!". É como segue o jogo. Amanhã, portanto, as categorias principais do Oscar podem ficam assim. Assim que os indicados forem anunciados, volto aqui para retomar esse papo!

FILME

1917

Adoráveis Mulheres

Coringa

Era Uma Vez em Hollywoos

Ford v Ferrari

História de Um Casamento

O Irlandês

Jojo Rabbit

Parasita

DIRETOR

Bong Joon Ho (Parasita)

Greta Gerwig (Adoráveis Mulheres)

Martin Scorsese (O Irlandês)

Quentin Tarantino (Era Uma Vez em Hollywood)

Sam Mendes (1917)

ATRIZ

Charlize Theron (O Escândalo)

Lupita Nyong'o (Nós)

Renée Zelwegger (Judy)

Saoirse Ronan (Adoráveis Mulheres)

Scarlett Johansson (História de Um Casamento)

ATOR

Adam Driver (História de Um Casamento)

Adam Sandler (Jóias Brutas, eu ainda sou #TeamSandler!)

Antonio Banderas (Dor e Glória)

Joaquin Phoenix (Coringa)

Leonardo DiCaprio (Era Uma Vez em Hollywood)

ROTEIRO ORIGINAL

 

Bong Joon Ho (Parasita)

Noah Baumbach (História de Um Casamento)

Quentin Tarantino (Era Uma Vez em Hollywood)

Rian Johnson (Entre Facas e Segredos)

Sam Mendes e Krysty Wilson-Cairns (1917)

ROTEIRO ADAPTADO

Anthony McCarten (Dois Papas)

Greta Gerwig (Adoráveis Mulheres)

Steve Zaillian (O Irlandês)

Taika Waititi (Jojo Rabbit)

Todd Phillips e Scott Silver (Coringa)

E é isso. Amanhã eu volto para comentar as indicações de fato – e assumir o mea culpa com os prováveis erros no listão acima. MAs, como diria o grande pensador, filósofo e profeta Chico Barney, eu nunca me enganei em um palpite…

 

Sobre o autor

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Sobre o blog

Cinema, entretenimento, cultura pop e bom humor dão o tom deste blog, que traz lançamentos, entrevistas e notícias sob um ponto de vista muito particular.

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