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Como Capitã Marvel se tornou essencial para a Marvel pós-Guerra Infinita

Roberto Sadovski

04/05/2018 05h16

O papo hoje é sobre o futuro da Marvel no cinema, ou pelo menos um pedaço deste futuro. Antes de mais nada, então, eu já aviso que o texto está transbordando de SPOILERS sobre Vingadores: Guerra Infinita, que fechou uma semana em cartaz. Se você ainda não assistiu ao filme… por que você está lendo isso aqui mesmo? Largue tudo e corra ao cinema!!! Daí a gente te coloca no papo. Quanto ao resto do pessoal, vamos lá!

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Última chance pré-spoilers…

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Briel Larson assume o cockpit no começo das filmagens de Capitã Marvel

A cena pós-créditos de Vingadores: Guerra Infinita tem deixado a turma nos cinemas coletando seus queixos coletivos do chão. É o fragmento de maior impacto desde que Nick Fury (Samuel L. Jackson) saiu das sombras ao final de Homem de Ferro (2008) com um "Você acha que é o único super-herói do mundo?" direcionado a Tony Stark (Robert Downey Jr.). Talvez não seja por acaso que o tag da vez também traga Fury, ao lado de Maria Hill (Cobie Smulders), recebendo dados sobre os acontecimentos em Wakanda no clímax da aventura – eles não sabem que os Vingadores enfrentaram o titã Thanos e perderam, com o vilão pondo em prática seu plano de eliminar metade da vida no universo. Carros de repente vazios batem, um helicóptero cai, Hill desaparece numa nuvem de poeira, assim como um punhado de outras pessoas nas ruas. Fury alcança sua mochila e pega um pager, enviando uma mensagem antes de também ser riscado da existência. A última cena é um close no beeper, que enviara uma mensagem representada por uma estrela num logo vermelho e azul – o logo da super-heroína Capitã Marvel.

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E assim, em poucos segundos, a Marvel fez de Capitã Marvel, filme programado para março do ano que vem, programa obrigatório para entender o futuro de seu universo. Mostra, também, que absolutamente nenhum passo no MCU é ao acaso. Até então, a produção da aventura protagonizada por Brie Larson corria tranquila, certamente como peça no grande tabuleiro do estúdio. Mas sua importância ganhou relevo – e o filme, uma aura ainda maior de mistério. Até o momento, o que se sabe sobre Capitã Marvel é que ele é dirigido pela dupla Anna Boden e Ryan Fleck (responsáveis por Half Nelson e Parceiros de Jogo, ambos com Ryan Gosling) e é ambientado nos anos 90. Larson faz Carol Danvers, coronel da Força Aérea Americana que se vê no meio do conflito de duas raças alienígenas, os Kree e os Skrull, que trouxeram a batalha para a Terra. No elenco, vários rostos bem conhecidos do MCU.

A Capitã Marvel combate os Kree…

… e também os Skrull em artes conceituais do filme

O primeiro é o próprio Nick Fury – ainda com cabelo e com os dois olhos. Clark Gregg reprisa o papel do agente da SHIELD Phil Coulson – ele e Sam Jackson serão "rejuvenescidos" com tecnologia digital. Lee Pace e Djimon Hounsou também retornam como Ronan e Korath, dois guerreiros do império Kree vistos antes em Guardiões da Galáxia. Ben Mendelsohn, colaborador dos diretores, também está no elenco, assim como Jude Law. O papel de Law, por sinal, é fundamental para entender a mecânica de Capitã Marvel. Nos quadrinhos, Carol Danvers tem seu DNA fundido com o dos Kree e ganha poderes baseados em absorção e projeção de energia – além de super força, poder de voo e a capacidade de sobreviver no vácuo do espaço. O astro de Closer surge aqui no papel de Mar-Vell, um emissário Kree que ganha simpatia pela Terra e torna-se mentor de Danvers, agora lidando com seus novos poderes. A trama é inspirada em A Guerra Kree-Skrull, série de histórias dos Vingadores publicada nos anos 70 – se você é fã, porém, sugiro se ater ao termo "adaptação"!

Quando Nick Fury convoca Carol Danvers ao final de Guerra Infinita, seu filme passa a ser fundamental para o futuro da Marvel. Como a Capitã Marvel não deu as caras em nenhum grande conflito global desde Homem de Ferro, é seguro afirmar que ela encontra-se longe da Terra há algumas décadas (está no espaço, no reino quântico ou em Piracicaba?). A trama de sua aventura também precisa ser discreta, mesmo em grande escala, já que aparentemente ninguém além de Fury lembra de sua existência. O pager com cara de relíquia dos anos 90 que ele usa é uma pista que a personagem já se mandou há bastante tempo. Onde ela está, quais seus poderes e como ela pode desequilibrar a balança no quarto Vingadores são questões que devem ser respondidas em seu filme, o que deixa a espera até março levemente mais angustiante – mas vale o chute que sua cena pós-créditos vai dialogar com o encerramento de Guerra Infinita. "Ela é a personagem mais poderosa do MCU", entregou o presidente do estúdio, Kevin Feige, meses atrás. Melhor prestar mais atenção até nas vírgulas do moço…

Carol Danvers em dois tempos nas HQs: nos anos 70 e nos dias de hoje

Curiosamente, Carol Danvers era uma jogadora do segundo time da Marvel nos quadrinhos até pouquíssimo tempo atrás. Criada nos anos 60 por Roy Thomas e Gene Colan, ela era coadjuvante das histórias do Capitão Marvel, um espião Kree infiltrado na Força Aérea sob o disfarce de um cientista chamado Walter Lawson. A explosão de um artefato alienígena afeta o DNA da então chefe de segurança da base militar, dando-lhe habilidades sobre humanas. Quase uma década depois, Danvers ganhou título próprio, em janeiro de 1977, e foi uma pequena revolução nas histórias da editora. A revista fora batizada Ms. Marvel, identificando a personagem com o crescente movimento feminino da época. Mais ainda: em sua identidade secreta, agora como editora de uma revista feminina do mesmo grupo do Clarim Diário, desde cedo ela se posicionou na luta por direitos iguais, inclusive exigindo salário igual a de seus companheiros de editora. Moderna, não? Ms. Marvel fez, também, parte de uma leva de versões femininas de heróis da editora que incluía a Mulher-Hulk e a Mulher-Aranha.

Na década seguinte, porém, sua jornada tornou-se bizarra. Colaboradora constante dos Vingadores, Carol Danvers/Ms. Marvel foi raptada por Marcus, filho do viajante do tempo Immortus, levada a uma dimensão paralela, dominada mentalmente e seduzida para engravidar do sujeito. Basicamente, ela foi violentada com os Vingadores alheios à manipulação e "felizes" pela companheira. O roteirista Chris Claremont, indignado com o tratamento dispensado à personagem, a reintroduziu na cronologia da equipe, retratando-a com mágoa dos companheiros, principalmente depois de ela ser atacada pela mutante Vampira e ter seus poderes arrancados de seu corpo. Sua trajetória conecta-se, então, com a dos X-Men, já que em uma aventura espacial ganha novos poderes após ser torturada pela raça alienígena Ninhada e adota o nome Binária, já que suas novas habilidades mimetizam o poder de uma estrela.

Carol Danvers ganhou poderes cósmicos e adotou o nome Binária

De volta aos Vingadores, Binária é fundamental no crossover Operação Tempestade Galáctica, que a coloca mais uma vez de frente aos Kree. Ela perde (de novo) os poderes cósmicos, voltando ao nível de força que tinha como Ms. Marvel. Na nova formação dos Vingadores, ela adota o nome Warbird e ganha uma nova adversidade, cortesia do roteirista Kurt Busiek: ao lidar com a perda de seus poderes cósmicos e também de sua memória, Carol torna-se alcoólatra. O novo século trouxe mudanças de uniforme e importância crescente nos títulos dos Vingadores, com a personagem liderando uma equipe dos heróis. As sagas Guerra Civil e Invasão Secreta tem participação fundamental da heroína, que fizeram a editora elevar seu status, em paralelo com os planos da Marvel Studios em lhe colocar como protagonista de seu próprio filme.

Seu novo visual, que ecoa seu primeiro traje com uma evolução de estilo mais militar, estreou em 2012 quando ela se tornou protagonista de um novo título, assumindo o nome Capitã Marvel. A roteirista Kelly Sue DeConnick abraçou as origens da personagem, não como uma obrigação, e sim como a defesa de seu legado. Essa nova determinação foi crucial para a saga Guerra Civil II, em que Carol Danvers bate de frente com Tony Stark sobre o uso de um Inumano (pessoas que desenvolveram habilidades sobre humanas depois de um evento global) capaz de enxergar e projetar visões do futuro. Enquanto Carol quer usar o jovem para prevenir ameaças (o que, de cara, custa a vida do herói Máquina de Combate), Stark é categórico ao afirmar que o futuro é fluido, e que encarar possibilidades com certezas é um erro.

O Homem de Ferro sente po poder da Capitã Marvel em Guerra Civil II

É improvável que a Carol Danvers versão Brie Larson que veremos em Capitã Marvel ano que vem traga tanta bagagem. Mas é certo que a Marvel vai posicionar suas peças no tabuleiro de seu universo para que a heroína seja, a partir do ano que vem e entrando na quarta fase do MCU, um dos pilares dos super-heróis do estúdio no cinema. Curiosamente, outro herói criado como Capitão Marvel nos quadrinhos num distante 1939 também chega aos cinemas ano que vem. Por motivos óbvios (e outros, acredite, nem tanto assim), ele vai estrear com um título bem distante do MCU: Shazam!

Briel Larson no set de Capitã Marvel, que ainda deve uma imagem oficial!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Sobre o blog

Cinema, entretenimento, cultura pop e bom humor dão o tom deste blog, que traz lançamentos, entrevistas e notícias sob um ponto de vista muito particular.