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Por que Vingadores: Guerra Infinita não vai bater a bilheteria de Avatar

Roberto Sadovski

09/05/2018 05h30

Quando os números da segunda semana de Vingadores: Guerra Infinita catapultaram o filme para além de 1 bilhão de dólares nas bilheterias mundiais, o pessoal que gosta de ficar de olho nos números em Hollywood (e no cinema mundial) cravaram uma previsão: a aventura que reúne os heróis da Marvel é o primeiro filme lançado na temporada do verão americano que pode dobrar a soma, chegando a 2 bilhões de dólares no cofre. Seguindo esse ritmo, existe até uma chance de o filme seguir quebrando recordes e ir um pouco além, alcançando o segundo lugar no ranking das maiores rendas do cinema. Isso mesmo, o segundo lugar. Porque, acredite, nem todo o feijão do mundo é capaz de arranhar os números que Avatar alcançou em 2009, há quase uma década. Entra ano e sai ano, a ficção científica natureba de James Cameron continua o campeão incontestável. E deve permanecer assim por um bom tempo.

Desde que Titanic ultrapassou o bilhão em 1997, mais de trinta filmes chegaram à marca – entre eles um Harry Potter (Relíquias da Morte Parte 2), um James Bond (Skyfall), dois Batman (O Cavaleiro das Trevas e sua continuação), quatro Star Wars e seis do Universo Cinematográfico Marvel (o MCU), contando com Guerra Infinita. Mas apenas três duplicaram a soma – todos lançados na época dos feriados do fim do ano. O próprio Titanic, somando seu relançamento em 3D em 2012, mais uma volta limitada aos cinemas ano passado, mordeu 2,187 bilhões. Star Wars: O Despertar da Força, embalado pela volta da "galáxia muito distante", alcançou 2,068 bilhões em sua temporada original em cartaz. Avatar, entretanto, caminha léguas à frente, com um total de 2,8 bilhões – arrecadados também em seu lançamento original. É um fenômeno de longevidade, um absurdo quase 600 milhões de dólares em cima da medalha de prata e uma soma que, para ser atingida, precisa de uma configuração estelar quase impossível de ser repetida.

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Em nada isso tira o mérito de Vingadores: Guerra Infinita. É bacana testemunhar um fenômeno desse porte chegar aos cinemas, um pedaço de entretenimento que mobiliza uma plateia tão ampla e diversa. Como resultado, o filme vem demonstrando pernas que sugerem uma carreira ainda longa nos cinemas e a possibilidade de coletar mais centenas de milhões. A vantagem de O Despertar da Força e Avatar, e o que coloca uma pedra para o filme da Marvel chegar a 2 bi, é justamente sua data de lançamento. Como chegaram ao cinema em dezembro, ambos tiveram o mês de janeiro inteiro, geralmente dominados pelos filmes mais discretos que entram para competir na temporada de premiações, para cavar uma fortuna como um rolo compressor. Guerra Infinita abriu a temporada do verão ianque, e tem concorrentes barra-pesada à frente, como Deadpool 2, Han Solo – Uma História Star Wars e Jurassic World: Reino Ameaçado. Curiosamente, o topo da lista quando se considera apenas os filmes lançados no verão é de Jurassic World, que em 2015 alcançou 1,672 bilhão de dólares.

No jogo das bilheterias, escolher a data certa é essencial. Quando Guerra Infinita teve seu lançamento nos Estados Unidos adiantado em uma semana, ele ganhou praticamente duas semanas sem nenhum concorrente em cartaz, ganhando fôlego para ameaçar o trono de Jurassic World e encostar nos 2 bi. O filme que traz o vilão Thanos contra os "heróis mais poderosos da Terra" não só quebrou o recorde como maior estréia mundial (atropelando Velozes & Furiosos 8), como se tornou a produção que chegou a 1 bilhão mais rapidamente – bastaram onze dias em cartaz, um a menos que o recordista anterior, O Despertar da Força. Vale lembrar que esse caminhão de dinheiro ainda não conta os números na China, hoje o segundo maior mercado cinematográfico do mundo, onde só estreia em 11 de maio. Nesse ritmo ele logo vai engolir o colega de MCU, Pantera Negra, nas bilheterias americanas (analistas acreditam que Guerra Infinita pode terminar sua carreira com 700-725 milhões de dólares em casa), e vai entrar no clubinho restrito dos 2 bi no planeta.

O Despertar da Força atingiu 2 bi em seu lançamento original

Tudo muito bonita, mas o novo Vingadores ainda deve ficar observando Avatar de longe. Mesmo que, curiosamente, não tenha deixado muitas marcas na cultura pop, e hoje seja (injustamente) vilipendiado por parte da crítica, o filme de James Cameron tinha muito a seu favor quando se tornou um fenômeno em 2009. O principal foi entregar ao público uma experiência até então nunca vista. Avatar é um espetáculo sem paralelos, um filme que apresentou um ambiente alienígena digital foto realista que redefiniu o conceito de "criar mundos" no cinema. Tudo executado com tecnologia 3D imersiva, criando a ilusão que a platéia de fato se transportava para a ação, sem apelar para truques baratos do efeito com "coisas voando em direção à câmera". Por mais espetacular que Guerra Infinita seja (e de fato é), ele ainda é parte de uma narrativa compartilhada que continua uma história, surpreendendo com sua trama e com seu impacto emocional, mas sem explorar um novo terreno no cinema. Para bater Avatar talvez seja preciso, mais uma vez, arrancar o chão da platéia. Ir além dos limites do cinema atual. Uma dica? Avatar 2 estreia em 17 de dezembro de 2020.

Sobre o autor

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Sobre o blog

Cinema, entretenimento, cultura pop e bom humor dão o tom deste blog, que traz lançamentos, entrevistas e notícias sob um ponto de vista muito particular.

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